Rita Red Shoes “A arte não pode ser rotineira “

A rapariga do sapatos vermelhos aqueceu os corações das centenas de bracarenses na noite de ontem que apareceu fria em Braga. Sem medo das temperaturas, Rita, a que o mundo descobriu com  com “Dream On Girl”, a voz inocente que arrancou aplausos de pé, a tal  “Dorothy” portuguesa ultrapassou o vento e arrepiou os presentes com temas mágicos.

Com o vermelho nos pés, subiu ao palco da feira do Livro e revelou o que há muito já se sabia, a menina-mulher é a capitã das nossas almas e dirige o seu barco levando-o a bom porto.

No final, já mais quente, pelo menos no coração depois de ser aplaudida de pé, a Rita, a dos sapatos vermelhos falou connosco…

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Passam músicos e actores pela tua vida em vários trabalhos que fazes e fizeste. Houve algum que marcasse a tua vida de uma maneira especial?

Tive a sorte de encontrar sempre pessoas que gostam muito de arte, entregam-se a ela, e isso é um privilégio aprender com seres que são generosos e entregam aos outros os seus saberes , não tendo receio de partilhar. Esta troca de saberes é, para mim, muito saudável.

Se consideras essa troca saudável deves certamente ter já pensado em escrever para outras pessoas…

(Risos) Sim…nunca acontece, mas num futuro poderá certamente acontecer, é um grande desafio. Eu sinto-me mais compositora do que cantora, escrever canções é o que ainda assim me é mais natural, ter o privilégio de ouvir as minhas canções cantadas por outras pessoas já em entusiasma muito, por isso escrever para alguém é acima de tudo uma troca única e espero sim que venha a acontecer brevemente.

rita red shoes 04Agora que falamos em escrever, e em sonhos teus, sei que tens guardado numa gaveta algo para os mais pequenos…Para quando esse presente não só para eles mas para todos nós?

Já fiz música para crianças, não exactamente canções mas uma peça de teatro onde eu toco ao vivo música infantil,mas  sem dúvida está nos meus planos  fazer um disco para eles, até porque são um público muito genuíno e sincero…difícil de agradar e que não tem papas na língua, quando não gosta simplesmente vira as costas, e isso sem dúvida é um grande desafio, prender esse público, captar a sua atenção é algo ambicioso que eu quero tentar.

rita red shoes 02Outra grande paixão que tens é o cinema, a vontade imensa de fazeres bandas sonoras, sendo que uma delas “Estrada de Palha”, já te valeu um Prémio Sophia. De que maneira bate o teu coração por esta arte?

(Tu sabes tudo sobre mim risos)…Já fiz três bandas sonoras, uma delas com o Paulo Furtado (The Legendary Tiger Man) delas “Estrada de Palha”, e é das coisas que mais gozo de dá…Sou uma apaixonada pelo cinema, e ouvir as minhas músicas ali naquela tela gigante é arrepiante, enche-me  o peito de orgulho!!!

O que também te enche o peito são os teus álbuns, aqueles que tens lançado com algum espaço de tempo, é propositado esses anos de espaçamento entra cada um?

Eu costumo dizer que quando não tenho nada para dizer fico calada, não consigo fazer música e arte só porque sim, só porque é o meu trabalho…eu preciso de sentir as coisas, faço-as de uma forma intima. A arte não pode ser rotineira, caso contrário fica a perder.

Mas desta vez irei contrariar esse tempo e para o ano irei lançar novo disco, quebrando assim esse tempo que estavas a falar…Aliás também estou a ficar velha e tenho que me despachar (risos).

rita red shoes 03Não parece nada …aliás em cima do palco não é só a Rita e o microfone, vimos a Rita com mais uns quantos instrumentos.És pau para toda a colher?

Eu tenho é uma grande lata!!! (risos)Não sou assim tão boa instrumentista, tenho sim é uma grande curiosidade e fui comprando instrumentos e experimentando, passo sim algum tempo de namoro com eles, mas não o suficiente para aperfeiçoar a técnica, mas como sou descarada venho para aqui e tento mostrar o que sei …

Mesmo cantando quase só numa língua que não é a tua, continuas a ser uma filha amada…O que te levou a escolher o inglês ?

Comecei com 14 anos com o meu irmão…ele e uns amigos nossos de infância tinham uma banda e já cantavam e compunham em inglês e quando eu entrei fui atrás deles, nem sequer que um dia iria fazer isto, e quando comecei a conhecer-me a escrever e cantar em inglês, habituei-me…Confesso que para mim é mais fácil, já me conheço a fazer as coisas assim. Devo confessar que tenho uma sorte danada, porque muito do meu público nem entende inglês e estão lá, nos meus concertos, era como tu estavas a dizer, continuam a gostar de mim, a querer ver e ouvir-me e isso só faz com que eu pense que se não fosse esta pequena barreira que por vezes existe com a língua, as coisas ainda seriam melhor, por isso estou a preparar já para o próximo disco algumas letras na nossa língua materna.

Concordo, junto com todos os bracarenses com o que disseste ainda há pouco em cima do palco, o Theatro Circo é sem dúvida o mais bonito do país. Para quando outra visita?

Vim cá em 2008, quero tanto voltar ! Gosto muito de Braga e o Theatro Circo é sem dúvida daqueles lugares mágicos que nos enche a alma.


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