Ricardo Rio: “Gostamos de estar entre os melhores sempre que possível “

Esta é uma entrevista sobre um homem. Um Presidente. Uma cidade. É uma entrevista sobre uma história. Um caminho traçado. Sobre um descerrar de janelas e deixar entrar ideias próprias. É sobre vontades e resiliência. Mas também sobre o outro lado. O outro olhar. O pessoal. Reviver três anos de um mandato que ainda sabe a pouco. Uma entrevista sobre o homem que está aos comandos daquela que é a cidade que o apaixona todos os dias. É sobre um acreditar diário. Confiar. Nele e nos que o acompanham. Acreditar na vida. Na sabedoria. Esta é uma entrevista sobre a vida de uma cidade com um presidente dentro. Esta é uma entrevista sobre um homem. E, talvez, um bocadinho sobre todos nós, também.

Que cidade é Braga, três anos depois de Ricardo Bruno Antunes Machado Rio assumir a cadeira de Presidente?

Braga, a cidade jovem, monumental, inovadora e acolhedora, é também, e cada vez mais, uma cidade feliz, em que as pessoas sentem que vale a pena sonhar.

Braga é um espaço de colaboração contínua entre diferentes protagonistas, de arrojo nos projetos e iniciativas desenvolvidos, de uma singular dinâmica cultural, desportiva e social, de uma vitalidade ímpar do ponto de vista económico, de uma prática solidária para com aqueles que mais precisam que a todos deve orgulhar. Mas Braga é também uma cidade que se projecta para lá das suas fronteiras, que atrai visitantes e investidores, que se afirma pela sua modernidade e cosmopolitismo e pela diferenciação das políticas e medidas que concretiza em prol dos seus cidadãos.


“ “Uma das nossas apostas tem sido a internacionalização de Braga”


Sente que os 8 anos em que trabalhou para chegar à presidência deram-lhe a maturidade e conhecimento global para se moldar e trabalhar os problemas mais profundos desta que é uma das cidades mais importantes do país?

Como cheguei a afirmar, Braga perdeu com as derrotas da Coligação em 2005 e 2009 (porque tal permitiu que muitos e mais graves erros fossem cometidos), mas eu ganhei obviamente nesses dois domínios: da maturidade pessoal e do profundo conhecimento sobre todas as áreas da gestão municipal.

Sob essa perspectiva, o trabalho ficou claramente facilitado quando assumi funções como Presidente da Câmara porque praticamente ninguém tinha um domínio tão abrangente e tão profundo sobre cada um dos dossiês e sobre cada uma das realidades sectoriais e territoriais do Concelho.

Além do mais, esses anos permitiram a construção de um projeto sólido de futuro, assente em prioridades e propostas concretas que temos vindo a concretizar de forma exemplar.

ricardo-rio-entrevistaAo longo deste mandato sente que cada vez mais bracarenses se revêem no projeto “Juntos por Braga”, ou acredita muito mais numa comunidade que nutre uma empatia por Ricardo Rio?

É impossível dissociar um projeto do seu líder ou o líder do seu projeto e da equipa que lidera, no caso, em todo o universo municipal.

É também minha clara convicção que são mais, bastantes mais, os Bracarenses que hoje se revêm na Coligação “Juntos por Braga” e que estão satisfeitos com a forma como temos conduzido os destinos do Município. Daí que, e para elevada satisfação pessoal, seja natural o carinho e a simpatia que sempre me têm sido tributados em todos os locais por onde passo, quer no contacto com instituições de diferentes áreas de atividade, quer na ligação a cada um dos cidadãos, em todas as Freguesias de Braga.

Está o presidente da cidade de Braga num constante diálogo aberto com todos os bracarenses?

A proximidade, a acessibilidade e o diálogo contínuo com os cidadãos, físico e “virtual” é uma das imagens de marca desta nova governação municipal.Não se trata apenas de estarmos disponíveis para atender os munícipes ou de tentarmos estimular a sua participação e envolvimento sob diferentes prismas na gestão municipal.

Temos os valores da transparência, da prestação de contas e do escrutínio contínuo intrincados no nosso código genético e o prazer de estar com as pessoas, de as ouvir e de recolher os seus anseios e contributos como uma enorme vantagem para o trabalho que temos que realizar. A acrescer a tais fatores, os novos canais de comunicação reforçam sobremaneira essa presença e proximidade e permitem uma resposta muito mais célere e eficaz a muitas das questões que me são diariamente colocadas.


“ Não terá chegado o dia em que eu poderei anunciar a descoberta do “último esqueleto” e mais longe estará ainda a data em que alguns deixarão de evocar uma visão segmentada e distorcida das últimas quatro décadas ”


Consegue, no final destes 3 anos quantificar e qualificar as heranças (boas e más) deixadas pelo antigo executivo?

Já muito se tem falado sobre o passado, seja nos recursos e oportunidades que urgia potenciar, seja nas amarras e constrangimentos que condicionam o nosso desempenho presente e futuro, e que hoje todos consideram urgente reverter ou corrigir. Estamos a falar de problemas na organização, de limitações financeiras, de riscos jurídicos latentes, de áreas e necessidades por satisfazer em diferentes contextos da atuação da Autarquia.

Tem também sido claro que, além do muito que já se conhecia e/ou antecipava, se têm multiplicado as surpresas desagradáveis, materializadas em dificuldades de diversa índole que felizmente vimos retificando ou mitigando.

Não terá chegado o dia em que eu poderei anunciar a descoberta do “último esqueleto” e mais longe estará ainda a data em que alguns deixarão de evocar uma visão segmentada e distorcida das últimas quatro décadas, com base nos projetos e iniciativas positivos que então foram concretizados.

Disse várias vezes que o passado de Braga foi um passado de muitos cortes com instituições fulcrais ao desenvolvimento da cidade, tais como a Universidade do Minho e a Igreja. Hoje, essa ponte e esse cordão umbilical está de novo restabelecido?

Todas as relações carecem do cumprimento de vários requisitos: da predisposição das partes, do estabelecimento de uma relação de confiança, do diálogo contínuo e da concretização de projetos conjuntos fruto de ambições partilhadas.

Hoje, em Braga, todos esses requisitos se estão a verificar na relação entre a Câmara e as instituições que referiu, mas também entre a Autarquia e outros parceiros fundamentais: as Associações Empresariais e as Estruturas Sindicais, as Empresas e as IPSS, as Colectividades e Associações de diversas tipologias, as próprias Juntas de Freguesia…

É claro que a Universidade tem um papel fundamental porque, como tive muitas vezes oportunidade de referir, a mesma foi o principal motor de desenvolvimento da cidade nas últimas décadas e a sua principal fonte de juventude, conhecimento e espírito empreendedor. Sob o acompanhamento do Pelouro de Ligação à Universidade, mas sobretudo do contínuo envolvimento do Presidente da Câmara e de todos os responsáveis municipais foi possível estruturar um modelo único de colaboração no desenvolvimento económico, ativar a dinâmica cultural da cidade, desenvolver projetos na área da valorização patrimonial, promover estudos técnicos por parte das áreas do saber da(s) Universidade(s) e concretizar parcerias concretas com as diferentes unidades de ensino e centros de investigação.

À “Universidade sem muros” que o Professor Guimarães Rodrigues sonhou e o Professor António Cunha tem materializado de forma exemplar, juntou-se uma Câmara Municipal de portas abertas à cooperação institucional, em claro benefício para Braga e para os Bracarenses.

ricardo-rio-entrevista-2Que sentimento sobrepõe sempre que a cidade recebe distinções como sendo a mais feliz do país e a terceira da Europa, uma das mais românticas do velho continente e também a cidade que está na vanguarda das tecnologias e da ciência?

É sempre motivo de orgulho e de enorme satisfação quer enquanto responsáveis políticos, quer enquanto cidadãos que amam a sua cidade. E é-o pelas distinções em si, pelos requisitos e indicadores que estão na sua base e pelo reconhecimento do cariz diferenciador dos projetos que desenvolvemos. Gostamos de prestar contas, de sermos comparados com os demais, dentro e fora de portas, e de estar entre os melhores sempre que possível.

Braga é hoje fonte de boas notícias. Fomos designados três anos consecutivos Autarquia Mais Familiarmente Responsável, recebemos prémios pela forma como promovemos o desenvolvimento económico e o empreendedorismo, pela promoção turística, pelo estímulo à participação dos cidadãos, pelas iniciativas de carácter ambiental, pelas políticas na áreas social e da saúde e pelos esforços de preservação e valorização do património. Além do reconhecimento das nossas políticas, estes títulos são também uma forma de promover Braga pela positiva e de reforçar o espírito identitário entre todos os Bracarenses.

Tem-se notado um aperto de mão cada vez mais forte entre o município de Braga e o país vizinho. Que projetos e investimentos tem crescido ao longo desta forte união?

Uma das nossas apostas tem sido a internacionalização de Braga e o reforço da sua participação em espaços de colaboração de distinto âmbito geográfico, como se pode verificar na recente adesão à Rede Eurocities (das maiores cidades europeias), nos acordos de geminação e parceria celebrados com cidades de referência dos vários continentes e no acolhimento de iniciativas como a Capital Ibero-Americana da Juventude no ano em curso.

Com a vizinha Espanha tratou-se de reanimar as relações existentes, nomeadamente através do Eixo Atlântico – que muito me orgulha presidir – e da colaboração direta com distintas cidades e instituições. Através desta relação tem sido feita a promoção bidirecional dos destinos e recursos turísticos, têm sido encetadas iniciativas conjuntas nas áreas da promoção empresarial, da cultura ou do meio-ambiente, foi reativada a rede de colaboração no domínio do património romano com Lugo e Astorga, tem sido promovido e qualificado o caminho Português de Santiago.

Braga tem utilizado a sua participação no Eixo para expressar preocupações e propostas para o conjunto do território e tem acolhido iniciativas de diversa índole (como a Bienal de Pintura, as celebrações dos 25 anos do Eixo Atlântico em 2017 ou os Jogos do Eixo Atlântico em 2019.

Falar da cidade é falar de uma Braga que está na moda. A cultura tem sido um isco lançado ao longo deste mandato que conta já com três anos. Como enfrenta algumas críticas que são lançadas à falta de criatividade cultural e até mesmo ao Theatro Circo e ao Gnration onde apontam estes espaços como elitistas e sem programação abrangente para todo o tipo de público?

Braga é hoje uma das cidades com maior dinâmica cultural em todo o País, valorizando, apesar das limitações existentes ao nível do perfil e dimensão dos equipamentos culturais, diferentes formas de expressão artística, a formação de novos públicos e a promoção do talento e dos artistas locais.

Nestes últimos três anos, surgiram várias iniciativas de nicho para responder aos anseios de diferentes públicos (Festival de Bandas, Encontro de Coros, Festival de Órgão de Tubos, por exemplo), reforçou-se a política de descentralização cultural, alargaram-se as parcerias com os agentes culturais locais e apoiaram-se múltiplos projetos com capacidade de atrair a Braga um leque crescente de visitantes (Festival Rodellus, Festival para Gente Sentada, ou outros pré-existentes como o Castro Galaico e diversas organizações das Freguesias).

O Theatro Circo e o GNRation têm cumprido exemplarmente a missão que lhes está confiada, enquanto espaços ecléticos de programação cultural, assumindo a sua complementaridade e disponibilizando um leque de espectáculos e realizações que preenchem as aspirações de diferentes tipos de públicos, como bem o comprovam os números crescentes de espectadores registados a cada novo ano. A renovação do Parque de Exposições viabilizará organizações com outra envergadura e ambição, nomeadamente no plano musical, inserindo Braga na rota dos grandes eventos nacionais.

York, Linz e Dakar foram algumas cidades que ficaram indelevelmente alteradas pela candidatura às cidades criativa Media Arts da UNESCO. O que pode esperar Braga deste desafio a que se propõe com esta candidatura?

Estes processos de candidatura têm sempre vantagens, quer por ocasião da atribuição dos títulos em causa, quer no decurso dos processos de construção das mesmas, pela capacidade que têm de mobilizar todo o coletivo em torno de um desiderato comum.

Braga quer ser uma Cidade Criativa da UNESCO na área das Media Arts porque julgamos que esta é uma forma de afirmar e projetar internacionalmente o casamento único que Braga corporiza entre a cultura, a criatividade, a tecnologia e a inovação. Temos os agentes, temos as realizações, temos o potencial empreendedor e temos a capacidade de acolher manifestações que marcam a agenda no panorama internacional das suas esferas de intervenção, como já hoje acontece com o SemiBreve, os Encontros de Imagem, etc..


“Braga é hoje uma das cidades com maior dinâmica cultural em todo o País”


Algumas cidades registaram um boom turístico significativo nos últimos anos. Embora este incremento traga postos de trabalho e florescimento económico há frequentemente repercussões negativas (ex: Lisboa, Veneza) com impacto no quotidiano dos residentes. No caso de Braga já há quem se queixe de uma “overdose cultural” com demasiados eventos que criam complicações de trânsito e ruídos aos moradores e comerciantes. Como se gere este equilíbrio?

O sabedor povo Português tem múltiplas expressões para esta realidade, mas a mais clarividente é a que afirma que “se é preso por ter cão e preso por não ter”. Os mesmos que se queixavam da falta de dinamismo e atividade no centro da cidade ou da falta de condições de segurança pela falta de circulação de pessoas, são muitas vezes os mesmos que agora lamentam o excesso de realizações e as consequências das mesmas.

Braga tem registado um crescimento consistente do turismo e tem hoje uma dinâmica invejável no plano das realizações, sendo uma cidade em contínua efervescência, com atividades culturais, desportivas ou sociais. Mas estamos longe de enfrentar as dificuldades com que as grandes metrópoles se confrontam e é ainda possível promover a salutar convivência entre diferentes tipologias de usos do centro da cidade.

ricardo-rio-03Selou um compromisso com os bracarenses quando depositaram em si a confiança para assumir os comandos da sua cidade prometendo uma nova roupagem e uma melhoria na qualidade de vida de todos. Conseguiu este executivo energizar positivamente a cidade nas áreas problemáticas como o desemprego e a educação a ponto de ser uma estratégia cobiçada pelas demais cidades do país?

Sem falsa modéstia porque comprovado com resultados palpáveis, Braga tem tido uma gestão exemplar da dimensão do desenvolvimento económico e tem prosseguido políticas sociais, educativas e/ou ambientais indutoras de uma melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e do desenvolvimento integrado do território.

No plano estritamente económico, a InvestBraga conseguiu aglutinar todos os agentes de desenvolvimento do Concelho e gizar uma estratégia clara que tem produzido frutos em todos os sectores de atividade, seja no turismo, no comércio, na indústria, nos serviços ou nos centros de apoio às empresas. O crescimento das empresas do concelho, a instalação de novas unidades empresariais, o trabalho de apoio ao empreendedorismo levou a uma queda de quase 4.000 inscritos no Centro de Emprego de Braga entre 2014 e 2016, com excelentes perspetivas de novos projetos nos anos que se avizinham.

O modelo da InvestBraga e da StartupBraga são hoje replicados a nível nacional e reconhecidos no plano internacional, sendo uma forma inovadora de promover o desenvolvimento de um território e de apoiar a captação de novas empresas e investimentos.


“ Estamos longe de enfrentar as dificuldades com que as grandes metrópoles se confrontam ”


Neste período em que se moveram em prol das promessas feitas há 3 anos, quais são as lacunas que ainda não conseguiram colmatar, e quais são as maiores dificuldades que o Município enfrenta diariamente?

As dificuldades e os problemas fazem parte da gestão do dia-a-dia das cidades e das Autarquias, sejam de carácter operacional, seja para responder aos mais prementes anseios dos cidadãos. Felizmente (porque atesta o grau de proximidade e confiança existente), as autarquias locais são vistas como o primeiro recurso de apoio para os cidadãos quando se confrontam com qualquer problema, mas a verdade é que nem sempre conseguimos acorrer a todas as solicitações.

Braga vai ter que continuar o seu percurso de modernização dos serviços, de manutenção e valorização dos equipamentos, de renovação e investimento no território para apoiar as políticas sectoriais e de apoio direto aos cidadãos e em especial aos mais carenciados.

Há muito património a valorizar, há espaços de acolhimento empresarial a qualificar, há toda uma política de regeneração urbana a desenvolver e muitos problemas concretos de cada Freguesia a responder. Muito se tem feito num esforço conjunto diário, mas é sempre um projeto inacabado.

O que espera homem e o politico para estes meses que se avizinham antes das próximas autárquicas?

As eleições autárquicas são um momento nobre do exercício democrático em que os cidadãos podem escrutinar o desempenho daqueles que gerem os seus destinos e confrontar as propostas alternativas para o seu futuro.

O político parte para estes meses de consciência tranquila e orgulhoso pelo trabalho desenvolvido, bem como animado pelas muitas iniciativas que ainda pretende concretizar com o apoio de uma equipa de excelência na Vereação e em todo o universo municipal.

O homem continuará feliz porque, usando a gíria futebolística, está na sua “cadeira de sonho” e acredita que os Bracarenses vão renovar o contrato com o Tempo Novo de que hoje podem usufruir.

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1 Comment

  • Responder Dezembro 6, 2016

    Afonso Henrique A Cardoso

    Entrevista bem conduzida e a fugir ao trivial, deixando o entrevistado passar uma mensagem objectiva e transparente.
    Permitam-me o destaque especial para a qualidade da fotografia.
    A fotografia (e texto) merece assinatura…

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