Oub’ Lá

Devia correr o ano de 1975 quando o meu padrinho me deu o meu primeiro rádio.
Adormecia e acordava ao som das inúmeras estações que encontrava. Sempre que iniciava uma música, imaginava um palco dentro do rádio, com todos os músicos, instrumentos, luzes, tudo ao pormenor; ali, tudo pequenino. Esta é a minha primeira recordação de consciência de música.
Assim nasceu o meu fascínio infinito pela Música.
No ano seguinte, tive aulas de guitarra e flauta na antiga Casa da Cultura de Braga. Sempre que havia concertos no Rossio da Sé, colava-me às grades do palco maravilhado e embuído pelos espetáculos. Nada havia que me fizesse tão feliz e assim cresci.
Na adolescência, chegaram os Mão Morta; os Bateaux Lavoir; os Sobre Sem Pés e aí, já eu percorria as listas da música independente e frequentava lugares como o “Club 21” e o “Som Pedro”.
Caminhar, na segunda metade da década de oitenta, pelas ruas de Braga, a um sábado à tarde, era fazer uma viagem por um almanaque de bandas de garagem. Todas as ruas tinham, pelo menos, uma.
Na minha primeira viagem a Lisboa, mais correctamente, Almada, na Tasca do Cão falava-se de Braga, e na força inovadora da música de Braga. Havia uma curiosidade latente pelo que se estava a passar em Braga.
Na altura, fiz parte de vários projectos musicais. Tive a minha participação em diversas bandas, sendo a mais marcante dessa altura, a banda que tive com o Fred – actualmente do projecto At Freddy’s House. Banda com a qual tivemos um concerto com direito a invasão de palco pelas forças da autoridade. Depois foi a rádio, primeiro em rádios piratas depois, já nos anos noventa, na RUM – Rádio Universitária do Minho.
De repente era adulto. De repente seria de olhar para a música de outra forma…
Passaram-se dias. Meses. Anos.
Aprendi que a música não tinha de ser adulta. A música, na sua essência, é intemporal, irresponsável e livre.
Agora, nos dias de hoje, tenho os meus projectos musicais e há um ressurgir de novas bandas em Braga. Agora, há mais e melhores formas de fazer e chegar à música. Agora, é tudo mais efémero… Mas a música não acredita no tempo, a música domou o tempo como sua parte, assim como nós pômos e tiramos um relógio… às vezes por capricho.
Oub’Lá é o nome de uma música dos Mão Morta, que viu a luz do dia em Julho de 1988, tornando-se um hino dessa geração em Braga e marco inquestionável da história da música no país. Oub’Lá é o nome deste espaço aqui na Badio, por homenagem aos seus feitores e pelo que pretende ser aos nossos leitores.
Aqui, teremos episódios da história da música na cidade, conversas e curiosidades. Encontrarás, não a sabedoria de saber mais música, apenas a coragem de a ouvir de forma diferente; quiçá a alma e paixão a cada nota.

Oub’Lá forma de escutar, lendo!

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