A Culpa de Se Chamar Benjamin Clementine…

Na outra noite, vinha de comboio para a cidade de Braga e decidi que não iria ouvir nenhuma das minhas “playlists” que tenho no telemóvel. Iria fazer as pazes com a Rádio, já era tempo. Depois de ter deixado de as ouvir, porque passam sempre a mesma coisa meses e meses seguidos, devido a uma pressão editorial, esclavagistas que estão, financeiramente… Nem os programas de autor se safaram. Triste, mas isto seria outro artigo.

Pela primeira vez, em mais de ano liguei a rádio e logo me arrependi. Passei dezenas delas, durante a viagem, e depois dela, enquanto caminhava para casa, no frio das duas e meia da manhã, dei por mim a pensar – Porque é que me vou a torturar com isto? – entre a luta de não querer ouvir mais má música, e enfrentar o frio de tirar as mãos dos bolsos e mudar para uma das tais “playlists”. Eis, que lá no meio salta uma voz, uma percussão, uma letra, um piano, e uma série de momentos raramente vistos em música. Era Benjamin Sainte-Clementine e tudo valeu a pena!

tumblr_nfctuq8FB71t3xnzoo1_1280Benjamin é natural de Londres; último de cinco irmãos, nasceu a 7 de Dezembro de 1988, e cresceu a norte, em Edmonton. Poeta; pianista; músico; irrequieto, com a centelha da sede de saber, viveu com a alma em alvoroço desde que tem consciência de ser, ele. Afogado na poesia, literatura e conflito exitencialista, falha o curso de direito e ruma a Paris, após uma série de episódios desafortunados. Sem-abrigo, tocou onde a sorte o levava até conseguir alojar-se num hostel em Montmartre onde viveu por três anos. Tudo se resume a que a vida de Benjamin daria um filme de bilheteira, que só é bonita em filme. Tudo se resume a ter sido descoberto no Metro a cantar. Depois disso é a viagem dos prémios; das gravações; a glória.

 

Lembra-me um poema de Charles Bukowski – All The Way.

 

Benjamin Clementine lançou:

  • Cornerstone, Ep.
  • Glorious You, Ep.
  • At least for now, Álbum.

img_7673Muito há ainda por dizer sobre Benjamin Clementine mas, não direi. Fica para quem ouvir descobrir, pois há magia em descobrir.

Nota – Benjamin Clementine será tão grande quanto a eternidade e a imortalidade na sua curvilínea figura negra, na verdade, podemos assistir ao acontecimento, lendo e ouvindo esta singular voz que atinge todas as notas que a música imagina.

 

 

 


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