Roda gigante

Por muito que não queiramos somos moldados pelo tempo. Não o tempo como uma quarta dimensão que nos deforma com a sua passagem, fazendo o presente imediato, passado. Mas sim, como bacia de transformações sociais que modificam cada pessoa ao nível dos seus sentidos e emoções.

O que hoje é ótimo, e o que achamos neste, ou naquele mais próximo, poderá tornar-se no horripilante, na raiva e na distância. O que dantes era amor, já não passa de uma memória feita de saudade. Por outro lado, o tempo também nos converte para uma vertente mais madura. O que dantes não era nada, agora é tudo. O que dantes, este ou aquele era incompatível, torna-se na nossa fonte de inspiração e de evolução. À primeira vista nada é perfeito, mas é possível admirar, como diz Miguel Esteves Cardoso, “como é linda a puta da vida”, e a roda gigante de sentimentos e emoções que nunca imaginaríamos ter na nossa corrente sanguínea.

Viver será sempre perspectiva, no tempo e no espaço, esculturando-nos à sua medida.


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