A primeira chamada

Mortinhos, mortinhos pela sua chegada! A tão esperada, tão vibrante e contígua estação do ano, a Primavera. Não a antecipo pelo bom tempo, porque ainda tenho que vestir uns camisolões, nem pelo Sol que nos brinda com a sua graça. A primeira chamada da Primavera é, sem dúvida, a prosa e a poesia, a individualidade, a plenitude numa só árvore: a Magnólia. Rodeia-nos nos arruamentos, pequenos jardins e parques e demonstram o seu amor ao exibirem as suas grandiosas e coloridas flores. Não há como não reparar nelas, estão precisamente em todo o lado.  A soulageana é a principal protagonista da primeira chamada da Primavera. Floresce logo no mês de fevereiro e é a espécie de Magnólia mais existente na nossa cidade, ‘predomina o branco mais puro ou mais marfinado (…) o cálice apresenta uma mistura delicadamente indefinida e subtilmente dégradée entre o rosa e o clarete violáceo’. As flores desta árvore são a nossa alma e reconforta-nos na coragem. ‘Porque a coragem acaba por ser, na correria de agora, a paciência de cada dia’. Não poderia deixar de escrever sobre ela, uma inspiração flamejante dos dias bons. Não poderia deixar escapar este amor que sinto por estes seres vivos, as árvores.  E não é que está a chegar a estação do amor?! Ai Primavera, Primavera, não pregues partidas à gente como a tão bem-vinda partida do nascimento da nossa Magnolia soulageana. Ela pode ser a tua primeira chamada, mas claramente que também vamos chamar pelas suas irmãs.

– grandiflora, liliiflora, denudata, stellata! Venham também!

 

*As citações são da autoria de António Bagão Félix, do seu encantador livro ‘Trinta árvores em discurso directo’

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