Escutando-te…


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Escutando-te… Penso na falibilidade do certo. Escutando-te penso e dou pouca importância à previsibilidade do futuro e espero que os cereais amoleçam numa taça de leite morno, tal e qual como o faço desde há anos quando o meu corpo era pequeno e a minha mente pensava noutras coisas. Pensava num futuro eterno, sem linhas de horizonte e sem tempo cronometrado pelas batidas do coração.

É neste exacto momento de pausa, ao início das madrugadas, enquanto toca música bonita e como Chocapic que sinto os pés no chão e me sento encostado no sossego de uma luz branda. É neste momento que sou mesmo eu, em que tudo é real. Em que não sou máquina e sou humano e penso no que tenho e no que não quero perder. Naquilo que quero usufruir a todo o instante. Incessantemente. Sem um saciar marcado.

No outro dia, por grande azar, pois seguia a velocidade moderada às 14 horas de um dia típico de chuva nortenha, o meu automóvel despistou-se. Perdi completamente o seu controlo, fui embater contra as protecções da autoestrada uma vez… e outra… e mais uma… fui lançado noutra via e fiquei à mercê dos veículos que nela avançavam. Dois embateram contra mim, mesmo na minha porta…

Talvez tenham sido 10 segundos, ou mais… até que tudo parou e se fez um silencio que não sei se era verdadeiro. Ainda não sabia se estava bem, se aquele ainda era eu.


“ Naqueles dez segundos lembrei-me apenas dos meus, de que eles têm de estar comigo e eu com eles, todos os dez segundos da vida.”


Mexi os dedos, a cabeça e lentamente saí pela porta do passageiro, ainda analisando se não haveria mazelas internas. Mas não… apesar do aparato cinematográfico, tudo estava bem comigo e com os outros intervenientes.

Não quero recordar mais o momento, mas aqueles dez longos segundos deram espaço para pensar . Naquela altura não me lembrei do que tinha para fazer a seguir, do que alguém inutilmente havia dito dias atrás ou nos problemas diários que nos apoquentam. Não me lembrei se estava zangado ou preocupado. Não me lembrei de classes sociais, de luta de sexos, das guerras ideológias e religiosas, do crash da bolsa, de onde pus o cinto castanho, se comprei uma camisa branca que me faz falta, da subida do preço do gasóleo.

Naqueles dez segundos lembrei-me apenas dos meus, de que eles têm de estar comigo e eu com eles, todos os dez segundos da vida.

Lembrei-me deles a passear, a rir, a chorar, sentados a ouvir música, a dormir descansados com a janela aberta… Lembrei-me que quero cheirá-los e ouvi-los. Quero ouvi-los a dizer disparates e a discordar. A envelhecermos juntos sem nenhum apanhar o outro nunca.

Aqueles dez segundos ensinaram-me coisas, foram aprendizagem e puseram-me a pensar no por quê de de fazermos tão mal uns aos outros, sermos tão picuinhas ao ponto de não cedermos, de não darmos tréguas a trivialidades que se tornam dolorosas. Por que não queremos o nosso próprio bem? Ensinaram-me que devo correr no pulsar do coração e acreditar que tudo vai correr bem.

Dez segundos longos e sempre com uma banda sonora que tocava no inconsciente e tornou tudo mais bonito e esperançoso.

Vivamos. Sejamos bons.


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