A importância do capital humano

A vida profissional, nomeadamente a incursão por processos de insolvência e revitalização de empresas e processos de âmbito laboral, me deu uma visão negativa da forma como são encarados os recursos humanos em Portugal. Desde a precariedade laboral à ausência de quadros salutares de desempenho de funções, passando por casos extremos de exaustão profissional, é possível verificar a desconsideração a que está votado o capital humano, com um elevado número de entidades empregadoras focadas somente no capital financeiro e na obtenção de lucro.

Porém, e no que ao universo das startups diz respeito, se tem tornado evidente terem os investidores uma maior preocupação com os trabalhadores que comporão as equipas dos novos projetos que pretendem apoiar, pois serão estas que ditarão ou não o sucesso das ideias e projetos a apoiar e implementar.

É esta preocupação – insuficiente mas que vai já sendo demonstrada por alguns – com o capital intelectual e o capital humano, que integram os denominados ativos intangíveis de uma empresa, sendo o segundo uma componente do primeiro.

A expressão “capital humano”, bem como a teoria inerente a esta temática, ganhou forma na década de 60 pela mão do nobel da Economia Theodore W. Schulz, de acordo com o qual “é composto pelas habilidades, pelo conhecimento e pelas caraterísticas do ser humano, nomeadamente as suas capacidades para produzir que podem resultar também da educação/formação que adquiriram. Os fatores decisivos de produção na melhoria das pessoas não são o espaço, as terras e/ou cultivo, nem a energia; verdadeiramente são a melhoria de qualidade e avanço no conhecimento da população, que muitas vezes são completadas por investimentos ligados ao capital humano.”

Simbolicamente, o capital humano é, pois, amplamente definido como algo que abrange uma mistura de talentos e habilidades individuais inatos, bem como as competências e as aprendizagens adquiridas pela educação e pela capacitação. (Algumas vezes, inclui-se também a saúde). Talvez, seja válido observar que o mundo dos negócios, que adotou, ansiosamente, o conceito de capital humano, tende a defini-lo de modo mais estrito, considerando-o, sobretudo, como as competências e os talentos numa força de trabalho, que estão diretamente vinculados ao sucesso de uma empresa ou indústria específica, com benefícios podem não ser económicos, incluindo-se a melhoria da saúde, maiores expectativas de vida e maiores probabilidades de envolvimento na vida comunitária.  Tal vem sendo assim entendido, tal como expõe o relatório da OCDE – O Capital Humano: Como o seu conhecimento compõe a vida (2007).

De modo progressivo, os trabalhadores que detêm “conhecimento” são vitais para o êxito das estruturas em que se encontram inseridos. A capacidade dos indivíduos e dos países em se beneficiar dessa economia do conhecimento emergente depende, em grande parte, do seu capital humano – sua educação, suas competências, seus talentos e suas capacidades.

Share on Facebook9Tweet about this on TwitterShare on Google+0

Be first to comment