Um tufão chamado Mafalda

Muito mais do que uma casualidade o teatro é uma vontade de contar histórias. Não é ao acaso que as peças de teatro são concebidas. É incrível o conjunto de mistérios que envolvem toda a paixão por aquilo que se faz, por aquilo que se constrói e por aquilo que se representa. Quem corre por gosto não cansa e a incerteza dos ventos da vida foram fonte de inspiração para a actriz que detalha a aprazível brisa que transporta consigo todos os dias. Na quinta noite do Mimarte, o palco do Rossio da Sé rendeu-se ao talento e magnetismo de Mafalda Saloio, verdadeiro tufão na arte da representação a que ninguém ficou indiferente.

Como nasceu a companhia de teatro “Circolando”?

O grupo Lugar Vagon, surgiu em 1998, por Pedro Santiago Cal e Mafalda Saloio, e depois continuou com a direcção de Mafalda Saloio e Suzana Branco. Lugar Vagon apostava numa linguagem de um teatro visual, sem palavras e com um forte envolvimento com os cenários naturais da cidade. Fizeram espectáculos dentro de prédios, dentro de um navio atracado na antiga Doca Pesca em Lisboa, na aldeia cova do Vapor, dentro de montras, na rua. Entre 1998 e 2007 o grupo Lugar Vagon procurava criar a partir do quotidiano dos lugares e das pessoas, criando um teatro sem palavras com um forte poético.

Lidamos diariamente com a incerteza de um mundo em constante mutação. É esta a história que “Brisa e Tufão” nos sopram ao ouvido?

Brisa ou Tufão, sopra numa estância provisória de arejamento profundo, um lugar provisório e meio decadente, onde as pessoas são acolhidas para tentarem tornar mais leve o seu quotidiano. Mas dependendo da sorte geográfica, emocional e humana este ar pode fazer-nos brisa ou tufão. Um espetáculo que fala sobre a força e a leveza do ar que nos rodeia. É nesse encontro entre o corpo e o Ar que nasce a história de uma mulher que mede o Ar para arejar lugares, prevenir catástrofes e ensinar-nos a conviver com este invisível suave e rebelde da vida.

De onde surge a  inspiração para esta peça ?

O espectáculo Brisa ou Tufão tem como inspiração um mini-espectáculo que criei em 2005 que se chama “Senhorita dos Aires”, esta mini-história, durava 7 minutos, e integrava o projecto de teatro-dança chamado “Lembranças”, que foi dirigido pela coreografa Madalena Victorino, onde participaram 16 atores-criadores. E foi desta mini-história, que anos mais tarde, surgiu a vontade de criar um solo, que deu origem ao “Brisa ou Tufão”.

 Os bons ventos sopraram esta noite em Braga?

Estávamos ansiosos para apresentar o espectáculo em Braga, foi a primeira vez que o espectáculo foi feito ao ar livre, e estávamos muito curiosos de ver como o público ia reagir. Os bons ventos sopraram em Braga! O espectáculo tem funcionado muito bem nos lugares onde temos apresentado.

A companhoa Circolando têm-se apresentado em vários países e tiveram hoje a grande estreia absoluta no palco MIMARTE no Rossio da Sé. Circolando tem o seu espaço de trabalho na antiga central eléctrica do Freixo, actual Cace Cultural do Porto. Colabora as mais prestigiadas estruturas culturais em Portugal e tem-se apresentado em festivais e teatros de diversos países.


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