The Gift vão transformar o Theatro Circo num Altar de celebração musical

O quarteto mais famoso de Alcobaça já é um “cliente” habitual da cidade de Braga. Por cá marcaram presença diversas vezes, seja na sala principal do Theatro Circo ou em concertos na Noite Branca. A energia, virtuosismo e capacidade de reinvenção permanente continuam a fintar o tempo, confirmando os Gift como uma das bandas mais prolíficas e refrescantes das últimas duas décadas. Desde o lançamento de “Altar” no início de Abril que a banda não tem tido mãos a medir mas ainda assim, numa paragem para almoço a caminho do Porto, conseguimos alguns minutos com Sónia Tavares, timoneira desta embarcação que segue a todo o vapor numa tour que terá paragem no Theatro Circo no próximo dia 6 de Maio.

Olá Sónia. Como tem sido o feedback a “Altar”, o vosso mais recente trabalho?

Olá, boa tarde! Os concertos tem estado cheios, praticamente tudo esgotado. Saltou logo para primeiro lugar no top o que é prova que as pessoas tem vontade de o ouvir por isso só temos mesmo é que continuar a mostrá-lo.

Apesar do vosso historial de frequente experimentação sonora e exploração de novos caminhos, há alguma reacção de surpresa em relação ao “Altar”, sobretudo pela participação de Brian Eno na produção?

Na realidade as diferenças não são grandes. Continuamos com a mesma sonoridade, a mesma personalidade musical. As canções já estavam praticamente todas feitas antes do Brian Eno se juntar a nós. Obviamente levaram uma roupagem nova com a sua entrada mas os Gift continuam iguais a si mesmos. Se as pessoas ouvirem a nossa discografia para além dos temas que passam mais vezes na rádio verão que sempre tivemos vontade de experimentar coisas novas. Este álbum não é excepção mas sim, tem um som mais apurado.

Nesta experiência que foi trabalhar com Brian Eno, o que mais vos surpreendeu nele?

Para mim sobretudo o facto dele ser uma pessoa tão terra-a-terra, de não ser deslumbrada (embora não possa dizer que é humilde, alguém como ele não o poderia ser) mas é um gentleman, sabe muito o seu lugar e tem um sentido de humor fantástico. O que aconteceu é que ele não se limitou ao seu papel de produtor, assumindo-se como um quinto elemento da banda, ou seja, vestiu a camisola dos Gift e trabalhou connosco desde o primeiro minuto. Isso foi de facto surpreendente!

A sua intervenção não se limitou então ao seu habitual toque de Midas que transforma em ouro tudo o que toca…

Nada disso. Ele quis construir as coisas de raiz connosco e solucionar problemas, não se limitando a “carregar nos botões” como habitualmente faz com outras bandas às quais está contratualmente ligado e onde se calhar não tem tanta liberdade para criar como teve connosco.

Eu acho que ele enalteceu sobretudo as características que mais lhe interessavam nos Gift, limando as restantes e juntos acho que conseguimos chegar à sonoridade ideal. Ele costumava dizer que “mais é menos, menos é mais e mais é mais” ou seja, não há uma fórmula universal que se pode adaptar a todas as bandas ou canções.


“ quando fomos finalmente ao Theatro Circo pela primeira vez, para nós como conquistar um Royal Albert Hall!”


Passaram recentemente pelo Eurosonic e pelo SXSW, um dos mais maiores festivais do mundo. Como foram essas experiências?

Muito boas, sobretudo no South by SouthWest onde recebemos óptimas críticas do Texas. Um conceituado site referiu-se aos Gift como uma das melhores bandas que passou pelo festival, o que tendo em conta as milhares que lá passam, é obviamente algo que agradecemos. As críticas tem sido muito boas.

A revista Uncut deu-vos 8 em 10 pontos possíveis…

Sim! Para nós foi uma vitória inacreditável. Em termos de internacionalização as coisas estão de facto a correr muito bem.

Do mundo para Braga…estiveram no Theatro Circo há 3 anos, na Noite Branca o ano passado… que memórias guardam da cidade?

Muitas! Lembro-me dos Amália Hoje, lembro-me de andar sempre perdida aí no meio dos túneis (risos) e lembro-me que o Theatro Circo foi sempre, sobretudo quando eramos mais jovens, um dos locais onde mais queríamos actuar (juntamente com Lisboa e o CCB). Por vários motivos não aconteceu tão rápido como desejávamos mas quando fomos finalmente ao Theatro Circo foi para nós como conquistar um Royal Albert Hall. As memórias que temos da sala são óptimas!

“Altar” é um local de culto, de veneração. É assim que vêem este trabalho?

O nosso “Altar” é sobretudo uma celebração da música em geral e da magnífica experiência que foi produzir este trabalho, as pessoas que conhecemos, toda a equipa fantástica  que colaborou na sua produção. Celebrar toda esta fantástica experiência é no fundo o que dá razão à escolha do nome “Altar”.

É um ponto de chegada ou de partida? Haverá um antes e depois deste cume que conquistaram?

Sim, também é um ponto de partida. A ideia continua a ser mostrar a música às pessoas e agora temos este excelente cartão de visita… gold! (risos) e vai certamente ser mais fácil chegar a mais sítios. Se nada acontecer fica esta experiência guardada na nossa memória que felizmente também ficou gravada em disco!

 

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