Teatro “fora da caixa” animou mais uma noite do Mimarte

Magia não são só truques e ilusão, é a imaginação sem limites. Markeliñe, uma companhia de teatro sediada em Bizkaia, Espanha traz pela primeira vez a Braga a sua obra “La vuelta al mundo en 80 cajas”, uma peça que não precisa de textos para ser entendida, apenas que olhemos para além do palco. Mais do que uma obra de teatro, uma volta ao mundo. Antes de subir ao palco Mimarte no Rossio da Sé falamos com Jon Kepa Zumalde, um dos actores da companhia espanhola para saber mais sobre este peça:

Qual a origem desta peça de teatro?

Esta obra já leva 18 anos em cartaz, ou seja, a funcionar em todas partes do mundo. Foi uma obra que levou aproximadamente um ano e meio a ser criada. Para nós era um desafio porque em Espanha, pelo menos, não conhecíamos nenhuma peça de teatro infantil sem texto. Esta obra não tem texto, apenas teatro gestual, utilizamos as vozes mas não temos nenhum texto, o que fazemos é simplesmente brincar, como fazem as crianças pois essa é uma linguagem que lhes é mais natural.

De que trata a obra?

A obra é sobre 3 trabalhadores num armazém que empilham e organizam caixas para serem levadas pelas transportadoras nos camiões que chegam. O que acontece é que dentro dessa rotina de trabalho, eles o que gostam é de brincar, então começam a fazer piadas entre eles e nessa brincadeira descobrem que podem viajar de um lugar para outro e convertem o armazém em distintos países, transformando o seu trabalho num jogo.

Está direcionado então ao público infantil?

Não, para a surpresa de todos, nós quando fazemos o espetáculo sempre pensamos em divertir a os adultos que acompanham as crianças. Existem surpresas focadas à capacidade do adulto, para eles voltarem a viver essa infância e redescobrir coisas que se calhar, neste momento, estão um pouco esquecidas, como são os jogos com objetos, onde um pano ou uma caixa de cartão converte-se em muitas coisas diferentes. Nesta obra tentamos que a imaginação de todos os espetadores voe, sem limite de idades.

Há uma inspiração na obra de Júlio Verne?

Sim e não, ou seja a nós inspirava-nos a obra de Júlio Verne “La vuelta al mundo en 80 dias” mas mudamos o nome para “80 cajas”, porque o nosso espetáculo começa num armazém com muitas caixas de cartão. E inspirava-nos porque gostávamos da faceta das viagens, no entanto a profundidade do texto desse livro não nos interessava muito porque não era muito educativo. Mas sim, gostávamos no sentido de viajar, das diferentes culturas e da relação de como comunicarmos com diferentes coisas e pessoas. Todas as criações são nossas, são próprias da companhia, onde os atores começam a brincar e fazem cenas clássicas ou poéticas mas também muito divertidas.

Em que se diferencia esta peça de outras peças de teatro infantil?

Bem este espetáculo foi concebido quando começaram a sair as máquinas de videojogos, e porque estávamos um pouco a reivindicar o facto de que as crianças conseguissem brincar com coisas básicas, com o que sempre temos brincado, um pau, uma caixa de cartão e um papel. A embalagem as vezes é mais divertida que o que traz propriamente dentro, então voltámos ao jogo pelo jogo e percebíamos que o adulto conseguia surpreender-se muito mais que a criança, porque é uma surpresa constante, num ritmo muito rápido e onde a cada oento estamos a surpreender os adultos e crianças porque fazemos quase magia. Há personagens que desaparecem, há coisas que aparecem do nada e há transformações de objetos de uma forma muito simples mas que dão visualmente um resultado muito agradável e surpreendente. No fim do espetáculo os adultos perguntam-se como é que com cartão, caixas e panos e, ainda por cima, sem falar, conseguimos contar uma história. Esse é o sucesso que tem-nos levado a ganhar muitos prémios a nível internacional, esta é a razão pela qual ainda continuamos com espetáculo, o mais veterano que tem a nossa companhia.

É a primeira vez que se apresentam em Braga ou em Portugal?

Em Braga sim, agora em Portugal já nos apresentamos em muitas cidades e em muitos festivais, ao longo destes 18 anos já viemos muitas vezes. Aliás é uma obra que tem percorrido o mundo. Inclusive já fomos a países como México, Marrocos, Finlândia, etc., e onde temos públicos completamente diferentes e nos países todos sempre funcionou muito bem, pois as crianças no final, brincam todas com as mesmas coisas.

 

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