Rodrigo Leão & Scott Matthew: o triunfo da melancolia transatlântica

Apesar de tudo o que nos distingue a música encontra sempre um modo de confirmar que somos afinal todos feitos da mesma matéria. O adn comum revela-se quando dois estranhos separados por milhares de quilómetros são profeticamente unidos pela música que lhes corre no sangue. Rodrigo Leão e Scott Matthew tinham as suas rotas traçadas pela melancolia mas não o sabiam. A improvável ponte entre Lisboa e Nova Iorque (onde o australiano reside) surgiu algures em 1992, altura em que Scott ouve pela primeira vez o tema O pastor dos Madredeus, onde actuava Rodrigo Leão. Este tema do álbum “Existir” foi escutado de modo quase obsessivo durante meses pelo australiano, no que parecia ser um prenúncio dum encontro marcado pelo destino. Até esse momento acontecer Rodrigo Leão fez parte de diversas formações (7ª Legião, Mdadredeus, Os Poetas) e fez diversas incursões por territórios como as bandas sonoras, o minimalismo e até a música electrónica. Scott Matthew, por seu lado, integrou os Nicotine e os Elva Snow, antes de se lançar a solo e editar três álbuns.

rodrigo_leao_scott_matthewO encontro entre os dois artistas viria a acontecer depois de um convite por email lançado por Rodrigo Leão a Scott durante a produção do álbum Montanha Mágica (que partilha o nome com o célebre romance de Thomas Mann). Depois de ter trabalhado com Beth Gibbons, Neil Hannon, Stuart Staples e Melingo, a opção pela voz grave e envolvente de Scott revelou-se tão natural como acertada. Foi o tema “White horse” do australiano que impressionou Rodrigo e o levou a lançar o repto. Com a melancolia como plataforma comum, a colaboração entre ambos facilmente desencadeou uma tour europeia e a produção conjunta de um álbum. A timidez e sentido de humor comuns e a capacidade única de comunicar dispensando as palavras foram os ingredientes certos para esta deliciosa receita. A simbiose entre o “criador de barulho silencioso” e o “inventor de melodias mágicas” resulta num espectáculo primoroso e imperdível, para ver na sala principal do Theatro Circo no próximo Sábado às 21.30.

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