Rocky Marsiano – Fusões africanas no Theatro Circo

Apresento-vos  Rocky Marsiano, um caso de estudo musical. Tal como Fernando Pessoa se desmultiplicava em heterónimos com personalidades e características próprias de modo a exteriorizar todo o seu potencial narrativo e poético, também Marko Roca encarna diferentes personagens e estilos musicais. O “polvo” criativo nascido em Zagreb, filho de pai croata e mãe minhota teve a sua epifania musical quando aos 13 anos compra uma cassete pirata numa rua de Zagreb e ouve “Yo, Bum Rush The Show” dos Public Enemy. 

rocky_marsianoMarko muda-se de seguida para Roma onde, com mais acesso à música produzida nos estados unidos, começa a sua primeira colecção de vinil. A produção musical começa como MC aos 21 anos, passando depois a produzir beats. Com o hip hop omnipresente como base cultural e musical, Marko estende os seus tentáculos à área de técnico de som e muda-se para Lisboa em 1992, onde se desdobra em projectos e solidifica a sua posição como músico, DJ e produtor. Em 1998 deixa-se levar pelos encantos duma holandesa e muda-se para Amesterdão onde assume funções de Label Manager  e Music Supervisor numa empresa que licencia músicas para jogos e campanhas publicitárias. D-Fine, a sua esposa, integra consigo o projeto Double D Force (editado pela extinta Loop Recordings) e surge como principal voz feminina nos 3 álbuns de Rocky Marsiano.

rocky_marsiano1Para evitar confusões (e um possível diagnóstico de multi-polaridade) vamos perceber quem é quem: Rocky Marsiano assume a produção musical e está mais conectado às sonoridades nascidas da fusão Hip-Hop/Jazz; D-Mars o Microlandês é o nome mais antigo e porventura um dos mais populares. Marko Roca é o talento que deu origem a todos estes personagens e o nome ainda usado em algumas noites house e techno.

O hip hop sempre foi o ingrediente principal nas receitas de Marko, que nos seus primeiros trabalhos “The Pyramid Sessions” (2005 e 2015), “Outside the Pyramid (2009), “Back To The Pyramid” (2010) e “Music For All Seasons (2013) foi também adicionando algum funk, jazz e música brasileira.

front-foto22014 é o ano decisivo na carreira do luso-croata, altura em que descobre o caminho musical para África, um território novo e até então inexplorado, mas do qual viria a extrair “Meu Kamba” (2014) e “Meu Kamba Vol. Dois” (2016), duas jóias recheadas com as sonoridades mais dançantes de Angola, Cabo Verde e Moçambique.

Estão portanto reunidas as condições para transformar o pequeno auditório do Theatro Circo numa pista de dança com toda a cor e energia que só África pode proporcionar. Sexta, dia 7, a partir das 22.00.


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