PZ promete caos controlado no Theatro Circo

Esqueçam géneros e categorias. Esqueçam normas e padrões. PZ é inclassificável. A sua música está a anos-luz de qualquer fronteira com a normalidade. Tendo o humor e a irreverência como principais munições, Paulo Zé Pimenta chega de pijama montado na nave mãe com toda a artilharia pesada: sarcasmo, letras divertidas e electrónica minimalista que potencia o carácter excêntrico e autêntico do artista.  Tragam os croquetes e esqueçam a neura. A noite é de festa no Theatro Circo!

 

Já é de domínio público que tens um feitio especial. Hoje, estás com a neura?

É do domínio público que tenho um feitio especial? Só por causa disso fiquei com a neura…

Começaste como um solitário autodidacta num quarto rodeado de fantasmas próprios da idade. Aquilo que és hoje é o que projectaste na adolescência?

Penso que todos nós vivemos com alguns fantasmas, mas ao mesmo tempo com alguns sonhos, que foram projetados durante a nossa adolescência. É uma fase da nossa vida que primeiro se estranha e depois se entranha ao ponto de ser parcialmente reprimida e adulterada precisamente durante a vida, digamos, mais adulta. Mas neste momento a minha adolescência faz parte de um passado que me influenciou de alguma maneira, tal como a minha infância. Faz parte de uma história pessoal que se vai desenvolvendo no meio do caos da memória. O meu trabalho passa por compartimentar essas memórias tanto a nível pessoal como musical.

pzTentas sempre que a tua música tenha algo inesperado . Como consegues ser tão diferente em cada trabalho?

Não penso muito nisso… Mas acho que tem a ver com as várias influencias musicais que me marcaram de uma maneira ou de outra. Gosto de vários géneros musicais, cinematográficos, literários, enfim… Gosto de misturar tudo dentro de um projecto musical mais específico que represente um tapete muito próprio e confortável para me espalhar ao comprido.

Tens os pés no chão sobre este mundo da música ou és como uma nave, vagueias muito?

Confesso que gosto mais da visão da nave-espacial a sobrevoar este Mundo do que viver com os pés assentes na Terra. Tenho sempre em mente o objectivo de me surpreender a mim próprio quando desenvolvo uma letra ou um instrumental. Tento sempre fazer algo de diferente, inesperado, mas que seja ao mesmo tempo feito de uma maneira natural proveniente da inspiração do momento.

A máscara PZ ajuda-te a libertar de máscaras e constrangimentos sociais com ironia?

Sim.

Começaste a apresentar-te com músicos em palco, sentes que isso permite um caos controlado nos concertos ?

Concordo também. Tenho a sorte de trabalhar em palco de pijama com 2 músicos que são também 2 amigos, nomeadamente o Fernando Sousa e o André Simão. Eles hoje em dia também vão de pijama para o palco e identifico-me com a musicalidade deles e com o facto de serem também multi-instrumentalistas. Estamos sempre na mesma página e ambos percebem o que estou a fazer. Tenho a confiança com eles de mudar as músicas, vesti-las com roupas diferentes, o que dá azo exatamente a esse caos controlado que provoca sempre momentos de adrenalina que não se atingem em estúdio, naturalmente.

12 SET • 23.00h – 00.00h
THEATRO CIRCO – FOYER E SALÃO NOBRE
Share on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0

Be first to comment