Pedro Melo e o bonito abraço à música

Uma música que nos é fácil. Especial. Atira-se a nós com uma vontade certeira, qual poema que se entranha nos nossos sentidos.  E nós precisamos disso. Queremos isso. É o amor que Pedro Melo tem pela música que faz com que acreditemos que é sempre possível sonhar. O Pedro e a sua guitarra. Poderia ser o título de um livro. Um história boa. Verdadeira. Sempre naquela cumplicidade, os dois. Cruzam-se, estranham-se e entranham-se. Vivem no mesmo mundo. Inspiram e expiram o mesmo ar. Todos os dias, a cada acorde surgem boas razões para se apaixonarem ainda mais. Eles e nós. O Pedro foi juntando as peças. Na mesa. Na gaveta. Em casa e na rua. Juntou um amor maior e hoje, ninguém consegue ficar indiferente. O Pedro Melo é um músico a sério. Devoto. A música é a sua  oração de todos os dias. O Pedro sabe que o mundo inteiro é grande demais. Mas enquanto ele girar e o seu amor pela música viver, fará sempre o mesmo caminho.

Quem é o Pedro Melo?
Pedro Melo é um rapaz de 22 anos que vive em Braga neste momento estuda economia na universidade do Minho e tem um gosto especial pela música.
pedro meloQueres falar-me um pouco como nasceu a paixão pela música?
Quando eu era pequeno,  o meu pai em casa ouvia muito música dos anos 70/80 e acabei por desenvolver o gosto por esse período, depois cresci e deixei isso um pouco de lado até que quando tinha cerca de 14/15 anos saiu um jogo que era o guitar hero e me fez renascer essa paixão pela música. O jogo tinha música dos anos 70/80 que era o que eu ouvia em casa e daí surgiu a curiosidade de tocar guitarra. Comprei uma guitarra à força porque os meus pais achavam que eu não ia fazer nada com aquilo e fui aprendendo sozinho em casa a tocar, até que fui desenvolvendo as minhas capacidades. Passado dois anos comprei com o meu próprio dinheiro uma guitarra melhor e desafiaram-me a participar num programa de talentos, na altura os “Ídolos.” Acabei por não ir ao casting. Como não fui, insistiram comigo e decidi criar um canal no youtube. A música que tinha praticado durante um mês foi a primeira que gravei e depois fui gravando umas coisitas até que deixei um bocado de lado porque não estava a ter muito sucesso. Entretanto gravei um vídeo para por no youtube, que comparado com os outros vídeos tinha tido uma progressão muito grande e foi aí que eu percebi que realmente gostava disto.

No ano passado participaste no programa televisivo “The Voice.” Como foi essa experiência?
Fui convidado a participar na segunda edição. Eu não fui contrariado, mas foi um bocado estranho para mim. Na altura convidaram-me porque devem ter visto o meu canal no youtube e ligaram-me. Fui aos castings e passei. Cheguei ao ensaio para a prova cega e decidi desistir. Passado um ano ligaram-me de novo e eu decidi apostar porque se não fosse naquela altura não seria mais. Posso dizer que não é o meu estilo de programa, foi uma passagem um bocado obrigatória para me dar a conhecer. O The Voice não foi só um impulso para as pessoas me conhecerem, também foi um impulso na minha autoconfiança porque eu achava que o que fazia não era nada de mais.

Voltavas a repetir?
Foi uma boa experiência, mas sinceramente não voltava a repetir. Neste momento com o que sei e com o que já fui fazendo não acrescentava nada de novo. Reconheço que o programa é feito para agradar às massas e o indie-folk não é propriamente dos géneros mais populares. De qualquer modo foi um impulso muito grande sobretudo porque não tinha confiança nenhuma no que fazia nem no meu trabalho e a verdade é que o programa ao longo dos tempos ajudou-me a evoluir. Acho que já estou um bocadinho mais preparado.

Depois de teres estado na televisão, sentes que as pessoas te observam de forma diferente na rua?
Eu sou um bocado tímido. Nem sei muito responder a isso até porque eu não ando na rua a ver se as pessoas me conhecem ou não. Uma das primeiras coisas que fiz quando saí do programa em dezembro, foi ocultar as páginas do facebook que davam para ver que participei no The Voice. Não vou dizer que o programa não me trouxe nada, mas a verdade é que não me quero que as pessoas me identifiquem com ele.

Escreves as tuas próprias letras e são todas em inglês. Porque essa opção?
Até chegar ao The Voice eu tinha a ideia um bocado fixa de cantar em português porque queria valorizar a minha língua materna. Entretanto fui ao The Voice e eles disseram-me que eu cantava muito bem em inglês e até me identificaram com alguns artistas, então, eu comecei a pensar nisso e realmente a assumi que é em inglês que eu me sinto melhor a cantar. Neste momento não penso em escrever em português até porque já tentei e foi uma verdadeira desgraça (risos).

Existe uma história para cada música? Como acontece o processo de composição?
É um bocadinho aleatório. Eu tenho a noção de como quero a história então vou escrevendo e compondo. Na maioria dos temas escrevi primeiro a letra, e, ao mesmo tempo que o fazia iam surgindo algumas melodias, que fui encaixando. Como eu sabia os assuntos de cada capítulo ao escrever ia optando entre algo mais alegre ou mais melancólico. Normalmente começo mais pela letra e pelo que ela me transmite e daí é que parto para a música.

pedro meloComo classificas a tua música e quem são as tuas influências?
Nós somos os nossos maiores críticos. Eu gosto de dizer que é indie- folk porque gosto muito de indie mas também de folk e é o que eu quero fazer.  Uma das minhas maiores influências a nível vocal é Damien Rice. Ultimamente ando a ouvir Lumineers, Mumfords and Sons, The Tallest Man On Earth, entre outros. A nível nacional,  revejo-me um pouco no David Fonseca e Tiago Bettencourt que é o artista que eu tenho como referencia já há muitos anos.

No dia 9 vais dar um concerto em Braga na B-Concept Store. O que esperas desse momento?
Espero que as pessoas apareçam e com vontade de ouvir o que vou cantar. Se calhar não é aquela música conhecida que puxa mais pelas pessoas pois é mais melancólica e lenta, mas é o que gosto de fazer e quem me conhece começa a perceber este meu estilo. De certa maneira quero difundir mais a música, quero que as pessoas que conheçam descubram novos temas e que as que não conheçam passem a conhecer e a gostar. Também faz falta educar o público e mostrar-lhes coisas diferentes.

Enquanto músico que sonho gostarias de ver realizado?
Toda a gente que está ligada à música tem o sonho de pisar um grande palco. Ficava feliz se tivesse a oportunidade de tocar um dia no Coliseu do Porto, dos Recreios ou até mesmo no Theatro Circo cá em Braga (seria uma honra!) , que mesmo não sendo tão grande é o tipo de palco que tem muito a ver com o meu estilo de música, muito mais do que um Meo Arena ou semelhante. Sou eu e a guitarra. No Theatro o ambiente é mais acolhedor e perfeito para um concerto mais intimista. A nível internacional, como tenho uma paixão pelos países do Norte da Europa (Suécia, Islândia, Finlândia, Dinamarca) e também no Reino Unido, era um sonho poder cantar lá também.

O que se segue neste futuro mais próximo?

A nível académico quero terminar o curso de economia até porque é uma ferramenta que me pode valer no futuro e esse é o desejo da minha família…

Eles vêem com bons olhos este caminho que escolheste?

Temos visões um pouco diferentes. Os meus pais nunca tiveram oportunidade de estudar na universidade e, como bons pais que são, querem obviamente que eu tenha mais oportunidades que eles tiveram. Sei que estão a investir em mim há muito tempo e por vezes ficam apreensivos com esta minha paixão pela música. Compreendo esse receio e tenho vontade de os compensar por tudo aquilo que investiram em mim. É para isso que trabalho. Já lhes disse que este ano, com o dinheiro que conseguir ganhar, quero pagar as propinas e compensá-los do que tem gasto comigo.

E musicalmente?…
Em dezembro vou lançar “Storyteller”, um EP com músicas originais. Os temas que estão nesse EP fazem parte de um projeto que eu tinha com dois amigos meus. Eu tenho um livro escrito que é uma pequena história, cada capítulo corresponde a uma música e o objetivo do álbum é estar dividido por capítulos. Neste álbum baptizado com o nome “The Book Of The Dark Valley” as músicas são independentes, não estão necessariamente ligadas umas às outras, mas se as juntarmos criam uma linha condutora. Neste momento o meu objetivo depois do EP é gravar esse álbum provavelmente em nome próprio, entretanto já comecei a escrever algumas músicas que estou a pensar em inserir noutro álbum.


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