“Paris, Texas” Um romantismo europeu numa rudeza texana.

Wim Wenders, um europeu apaixonado pela cultura americana conseguiu arrebatar plateias com o filme “Paris , Texas”. Este argumentista, ele próprio uma fusão dessas referências culturais, conseguiu dar o mesmo brilho a dois imaginários e mundos opostos para o mais amado dos seus filmes que se estreou em 1984.

Um filme que nos prende desde inicio, um título que nos traz várias questões e mistérios a começar pelo protagonista de seu nome Travis, um homem misterioso, de olhos nostálgicos e pele rude, de quem ficamos a conhecer – depois de um longo silêncio – a demanda por uma cidade que, justamente, se chama Paris, mas em vez de se situar em França fica no Texas. A sua postura e o seu mistério faz-nos questionar se se ela existirá apenas na fotografia que traz consigo, de um pedaço de terra onde se vê uma tabuleta a indicar “à venda”, ou se está mesmo no mapa.

Perceber e entrar no mundo deste personagem é difícil. Interessante e viciante  esta maneira que o realizador nos prende a um homem do qual não sabemos nada, o motivo que o levou àquela situação e há quanto tempo anda assim, ao Deus-dará em terra seca. Os primeiros esclarecimentos surgem depois de ele cair inanimado num bar e ser ajudado por um médico, que descobre o contacto do irmão: Travis estava desaparecido há quatro anos, e tem um filho com 7.

Paris, Texas foi, acima de tudo a projeção internacional de Wim Wenders. Um filme que estreado no Festival de Cannes de 1984, venceu a Palma de Ouro nesse ano, com um júri presidido por Dirk Bogarde, e composto, entre outros, por Isabelle Huppert e Ennio Morricone.

Um merecido prémio para um filme onde os silêncios, as cores e os elementos de drama estão em constante harmonia naquela que é uma grandiosa conversa familiar, exposta de maneira subtil.

Este clássico americano volta ao grande ecrã na próxima segunda feira, 20 de Janeiro ao pequeno auditório do Theatro Circo a partir das 21h30.

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