O Sal da Terra: A odisseia mágica de Sebastião Salgado

Se fosse possível condensar numa só palavra todas as qualidades do mais talentoso fotógrafo brasileiro de sempre, ela seria provavelmente: “humanismo”. Sebastião Salgado não é um fotojornalista comum. Aliás, recusa esse rótulo. Salgado prefere que o chamem “fotógrafo planetário”. Apesar de ter vencido o World Press Photo em 1986, o seu trabalho sempre se pautou por uma inabalável coerência temática, sendo a figura humana uma fonte inesgotável de inúmeras reportagens. Dos mineiros da Serra Pelada aos refugiados do Ruanda, o fotógrafo de 70 anos percorreu mais de uma centena de países nos últimos 40 anos em busca de histórias que lhe valeram prémios e o reconhecimento mundial, sendo habitual a sua colaboração com organismos como a UNICEF, Médicos sem Fronteiras ou Cruz Vermelha.

A vida e obra de Sebastião Salgado são-nos relevados pelo seu filho, Juliano, e pelo realizador (e também fotógrafo) Win Wenders, autor de Paris, Texas, Asas do Desejo e Buena Vista Social Club. Mais do que uma mostra do profissional em acção, o documentário “O Sal da Terra” revela o homem e os princípios pelos quais rege a sua conduta, e os valores em que assenta a sua abordagem ao temas que fotografa. A civilização que nos chega pelas objectivas de Salgado tem tudo o que ela contém de belo e horrível. São documentos visuais que contam tanto ou mais do que um romance poderia fazer, e que nos fazem reflectir sobre as questões mais profundas que assolam a humanidade: De onde vimos? para onde vamos? Como chegamos até aqui?

win wenders e sebastiao salgadoAs imagens do fotógrafo brasileiro deslumbram, revelam, questionam, mas também acusam e pressionam. O papel sensibilizador para causas como a defesa do meio ambiente, a poluição ou o drama de emigração está bem patente em diversas reportagens.

Nomeado para Oscar do Melhor Documentário e vencedor do Prémio Especial na mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes 2014, “O Sal da Terra” chega agora à tela do Theatro Circo, segunda, às 21.30. Uma obra obrigatória (também) para os amantes de fotografia.


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