O exorcismo de Phil Toledano nos Encontros da Imagem

Tudo aconteceu em 2006, ano em que a mãe de Phil Toledano faleceu. O que anteriormente tinha sido uma vida repleta de sucessos e felicidade para o fotógrafo norte-americano, depressa se transformou num sombrio mar de medos e incertezas. Phil, confrontado com a mortalidade, a solidão, a doença e o fracasso, resolveu enfrentar os seus medos, mergulhando, num projecto arriscado, ao mais íntimo de si próprio. “Maybe” é um exorcismo feito com arte, uma viagem às profundezas de alguém que optou por se antecipar ao destino e enfrentar a inevitável finitude daquilo que tomamos como certo.

Podemos dizer que “Maybe” é a prova que a fotografia pode ser uma terapia eficaz? Recomendaria-la a alguém com dúvidas existenciais?

Olhando em retrospectiva, suponho que sim. A minha mulher perguntou-me porque é que eu não fazia como toda a gente e consultava um psicólogo (o que teria sido bem mais barato). O que eu recomendo é que se faça o que for preciso para resolver o problema. No meu caso, precisei de imergir nos meus próprios medos para me curar.

“Poder e Ilusão” é o tema para os Encontros da Imagem deste ano. Qual é o maior desafio que a fotografia enfrente actualmente?

O desafio que a fotografia enfrenta não é diferente do que a arte em geral enfrenta: ser original, ser nova, ser relevante,  tocar as pessoas.
O que é que a fotografia fez no teu processo de auto-consciencialização? Ela fez de ti uma pessoa melhor?

Ela fez-me mais consciente de mim próprio, de quem sou e, de certa forma, posso dizer que fez de mim uma pessoa melhor. Aprendi a criar uma linguagem a desenvolver um diálogo comigo mesmo, o que me fez perceber alguns assuntos muito sérios na minha vida.

Estiveste ligado ao mundo da publicidade, sabes avaliar o potencial comercial duma imagem…Para alguém que começa na fotografia consideras que “segue o teu instinto” é sempre mais importante do que o “conhece o teu mercado”?

Eu sempre segui o meu instinto. Eu não sei o que o mercado quer e tentar adivinhá-lo parece-me suicídio.  O meu conselho será sempre “faz o que queres fazer e fá-lo sem piedade”.

 

A presença de Phil Toledano  é um dos grandes atractivos para a 25ª edição dos Encontros da Imagem cuja tema este ano  é “Poder e Ilusão”, uma reflexão sobre a paradoxal relação entre a fotografia e a realidade onde esta se apresenta e afirma, ora como reflexo da ilusão instalada, ora como contra-poder. No total serão 25 fotógrafos a apresentar o seu trabalho em 15 locais da cidade. Em paralelo, decorrerão  muitas outras actividades que  complementam o certame até dia 1 de Novembro.

 

Encontros da Imagem | Exposição de Phil Toledano

26 setembro, sábado, 17h30, Salão Nobre – Inauguração e conversa com Phil Tolledano
29 setembro a 10 outubro, terça a sábado, 14h30 às 18h30, Salão Nobre

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