Missão: Desarmar o mundo com o “Tuareggae” de Bombino

Há algo de profundamente único e genuíno nos talentos nascidos no seio de conflitos. Ao contrário de todas as expectativas e contra todas as adversidades há quem consiga erguer a sua voz, derrubar barreiras e fazer-se ouvir mais alto e mais longe. É o caso de Bombino, também conhecido como “Jimi Hendrix do deserto”, artista que marcará presença na sala principal do Theatro Circo sexta, dia 12 para apresentar “Azel”, o seu último trabalho.

bombinoBombino nasceu num acampamento Tuareg e viveu grande parte da sua infância dividido entre o pastoreio de cabras e a fuga às tropas do governo do Níger. Com uma juventude atribulada como refugiado entre a Líbia e a Argélia, Bombino poderia muito bem ter escolhido a kalashnikov como sua arma de eleição e engrossado as fileiras de resistentes ao regime. Felizmente para ele e para todos nós optou por uma guitarra, instrumento que encontrou num dos exílios que foi obrigado a fazer com a sua família. Inspirado por grandes guitarristas como  Jimi Hendrix e Mark Knopfler mas também por bandas africanas como Tinariwen e Terakaft, Bombino adoptou este instrumento como ferramenta de activismo político. Pacifista convicto, acredita que a sua guitarra não é uma arma, mas”um martelo que ajuda a construir a casa do povo Tuareg”.

No seu primeiro álbum “Nomad” (escrito em Agadez e gravado em Nashville ), o artista contou com a preciosa participação de Dan Auerbach, dos Black Keys que disponibilizou o seu estúdio para as gravações e deu a Bombino o empurrão necessário para conquistar o reconhecimento e elogios da imprensa internacional.

bombino 02No caso de”Azel”, o seu mais recente trabalho, Bombino convidou o músico David Longstreth, dos nova iorquinos Dirty Projectors. Incluídos neste álbum estão “Iwaranagh” e “Iyat Ninhay“, dois temas escritos pela banda Tinariwen, eterna inspiração para Bombino e uma das vozes mais activas do movimento Tuareg.  Em “Azel” assistimos ao casamento sonoro entre o reggae e a música Tuareg. Nesta fusão inesperada encontramos ainda um interessante contraste: nos vários temas que compõe o disco, há uma postura de profunda comunhão com as histórias e tradições Tuaregs ( perceptível em “Ashuhada”) mas também uma mensagem de optimismo e modernidade sobre as relações com este povo (como é o caso de “Akhar Zaman”).

“Azel” é um trabalho edificado nos pilares da memória e experiência vivida na reclusão, mas também no da paz e da esperança que se valorize o mais importante: Solidariedade, integração e desenvolvimento, os três “braços armados” que o Níger realmente precisa.


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