Miguel Araújo: “Braga tem um carácter único”

Uma fórmula . Nem todos a entendem. Nem todos a sabem viver.  A única certeza é que a música ainda move o mundo. Ainda conta e encontra histórias de amor. De guerra e de paz. De finais felizes. Ou não…

O Miguel encontrou o seu destino na música. O música esperava o Miguel. O tal destino que o faria feliz. O tal lugar que ele esperava e que era esperado, acreditamos. O tempo onde a incerteza termina e algo mágico começa. O Miguel Araújo não precisou de mapas e indicações para saber com certeza absoluta que a música lhe pertencia. Ou ele a ela .

O Miguel cresceu, já não tem 10 anos mas quando abraças a guitarra sentes o mesmo cheiro e o peso de quando te apaixonaste por uma num Natal já longínquo?

É diferente, o chamamento agora é outro, eu na altura só queria tocar e agora uso a guitarra mais para compormas continua a ser algo que me fascina bastante.

Falavas outro dia de ‘Cartas a um Jovem Poeta’, do Rilke, em que ele escreve a um jovem aspirante: ‘Mando-te os teus poemas com minha letra porque estás a precisar de vê-los escritos por outra pessoa.’ Também te persegue este mesmo sentimento quando compões para outros artistas?

Sim. É impossível nós termos uma opinião sobre uma música nossa com a nossa própria voz. Só acontece quando ouvimos pela primeira vez a versão cantada por outros, aí sim, sentimos que a coisa mais incrível de se ser compositor. A Carminho é um desses exemplos…

miguel araujo noite branca 2És pouco saudosista, não tens muita paciência. Como consegues compor e ser um dos mais aclamados músicos desta geração sem esses dois ingredientes?

Eu tenho alguma paciência, para cinema é que não tenho mesmo nenhuma, os filmes demoram imenso tempo e quase nunca consigo ver um até ao fim. Mas voltando à questão, o ingrediente para se ser um bom compositor é sem dúvida ter uma grande paixão pela música, por essa parte da música, esse lado misterioso da autoria, ninguém de onde vem a melodia. É uma espécie de espanto constante por esse mistério. Isso é o essencial, e como tudo na vida se uma pessoa tiver uma paixão muito grande por algo vai atrás para tentar agarrar.

Tal como a balada astral fez milhares acreditarem o destino, também tu acreditas que os astros intercederam a teu favor?

Não sei se acredito muito no destino. Não sei se sou assim tão determinístico , mas acredito que tudo se conjugou para eu ser músico.

Há uma parte da letra D. Laura “ enquanto diz ao mundo que há -de vê-la ser alguém”. No fundo sentes necessidade de provar que hoje és realmente alguém muito importante para cancioneiro português e que é possível singrar em Portugal cantando a tua língua materna?

A nossa língua é muito difícil de se cantar, com muitas consoantes e com as vogais muito fechadas, não é uma língua muito musical. Eu não sinto que tenho que mostrar que é possível, aliás quem sou eu para pensar provar isso? Houve já gerações anteriores que o fizeram, pegaram no rock e o transformaram em português como o Rui Veloso, Xutos e esse pessoal todo- Eles foram os que mostraram que era possível, eu simplesmente fui no encalço.

Sentes orgulho ou medo quando te comparam ao Carlos Tê?

(Risos) Eu sinto ambos …Ele é o meu grande mestre!

noite brancaEsgotaste coliseus junto com o teu grande amigo Zambujo. Já fizeste centenas de concertos com os Azeitonas. O que diria o jovem tímido acabado de terminar o curso de gestão deste trajecto?

Nunca pensaria ser possível, na altura nunca pensava que iria ser musico profissional . Se me dissessem eu iria achar que era mentira…

Se não viesses actuar em Braga, que programa farias num sábado à noite na cidade dos arcebispos?

Eu adoro Braga. Provavelmente iria passar o dia à casa dos meus tios ali na Póvoa de Lanhoso, almoçava ali um bacalhau no Victor , depois iria ao Theatro Circo assistir a um concerto, pois é o teatro que eu mais gosto do país, há imensa coisa que se pode fazer em Braga. É a cidade mais antiga do país e ao mesmo tempo a mais jovem e isso dá-lhe um carácter único e interessante, por isso eu adoro tanto esta cidade…


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