Mala Voadora leva-nos numa viagem até à Amazónia

Tal como deveria ser, a arte tem o sonho de mudar o mundo e há espectáculos que mostram isso bem de perto. Amazónia, a nova peça da companhia de teatro Mala Voadora foi pensada e feita a partir da vontade de mudar o mundo.
Que vontade é essa que os arrasta na tentativa de mudar o mundo e de o tornar num lugar verdadeiramente feliz? Há momentos, pessoas, coisas escritas por alguém e que depois se transformam numa representação de todos nós. Há peças que aparecem na hora certa. No lugar mais certo de sempre. Num teatro onde a respiração das vontades se sente mais. Frases que trazem com elas a força de uma mudança. Estes guiões não são nem deveriam ser uma coisa de calendário, uma imposição exterior. Estes guião, esta estória que com ele chega tem que ver com a luz, com os aromas que se sentem à nossa volta, com o que realmente é certo e que todos deveríamos aplaudir. De pé!
“O plano é ir para a Amazónia gravar uma telenovela ecológica. O planeta precisa, as pessoas interessam-se, é ético, é urgente, vai ter audiências. Como não faria sentido tratar de um tema ecológico sem ser ecológico, a concretização deste espetáculo vai obedecer a princípios rigorosos de poupança de matéria-prima. Em vez de inventarmos coisas novas, vamos reciclar aquilo que já existe: pedir um cenário emprestado, um desenho de luz emprestado, colar músicas que já existem, repetir ideias de outros espetáculos para não desperdiçar, emitir sons simples em vez de palavras, fazer várias vezes a mesma cena em vez de estar sempre a criar cenas novas. O espetáculo implica 3 narrativas – a longa História dos empreendimentos levados a cabo na Amazónia, a história do grupo de artistas que vai para a Amazónia fazer uma novela ecológica, e o enredo da novela –, mas elas vão misturar-se. O grupo de artistas que está a recriar um empreendimento de exploração da floresta que aconteceu no passado insiste no realismo dessa recriação porque… bom, porque nada é o que parece.”

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