Porque juntos são sempre melhores…

Eles estão juntos. São feitos de música e de sonoridades únicas tão conhecidos de todos nós. Godinho e Palma. Finalmente juntos. Deram as mãos, dão as vozes a um projecto intenso que juntou quatro décadas de canções. A estrada. Essa mulher onde se juntam vidas, onde se colocam questões e se corre por uma paixão. Juntou-os a mesma vontade de percorrer o mesmo alcatrão para levarem a sua música ao público que tanto os quer. Piano. Guitarra. Voz. Maturidade e humildade são carregados até aos palcos que percorrem lado a lado já há mais de um ano.  Cada um com a sua maneira subtil de encantar. Juntos, são livres de continuarem a cantar e encantar…

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São já quatro décadas de canções que agora sobem a palco. Que ingrediente mágico é este ?

É o prazer da música. O prazer de cantar, de estar no palco com um velho amigo que eu admiro profundamente que é o Jorge Palma. Esse é um prazer recíproco traduz-se neste projecto que já tem mais de um ano e a gente vai continuar. Temos agora o Avante, depois cada um tem os seus projectos, mas havemos de voltar. Mesmo que ficássemos por aqui já tinha sido fantástico, foram mais de dezassete concertos, um deles no Theatro Circo que foi um grande prazer, para já porque é o teatro mais bonito do país, não há outro igual .

Todas as pessoas têm personalidades diferentes. Estando na estrada há tanto tempo juntos nunca houve choques de personalidade?

É impossível, eu não me zango com o Jorge. Quando estamos a ensaiar, ele é um bocado”atrasadão” e eu sou uma pessoa que chega sempre a horas e um dia ele chegou mesmo muito atrasado e eu lá lhe disse das boas mas ficou tudo bem. É impossível zangar-me com ele, o Jorge é muito bom gajo e eu gosto muito dele, eu também não sou má pessoa (risos) de maneira que é tranquilo.

Esperavam que a cidade de Braga tivesse tantos jovens esta noite a assistir ao concerto e a cantar as vossas músicas ?

O nosso público é muito transversal mas ficamos sempre muito satisfeitos mas não espantados por haver tantos jovens a cantar as nossas músicas. Ainda agora estava aqui uma miúda de 15 anos que nunca tinha assistido a um espectáculo nosso e com certeza vai querer assistir a outro, portanto ainda há uma renovação do público que é natural, como também poderá existir gente mais velha que até já nem volta porque já nos viu várias vezes, mas há um núcleo duro que é muito constante.

Estão juntos na estrada, na amizade. No final de todos estes anos o que é que ainda falta fazer?

Entre nós não há muito mais a fazer além de continuarmos com este projecto, mas depois temos os nosso projectos próprios. O Jorge está a começar a compor para o seu novo disco, eu também estou a começar a compor para o novo trabalho que sai para o ano, acabei o meu primeiro romance que sairá em Fevereiro, e que quando sair virei cá a Braga apresentá-lo na Centésima Página, onde já estive nas comemorações do 15º ano com uma sessão do meu livro “Vida Dupla” que foi excelente.

E como lidam com o saudosismo?

Não sou saudosista, posso ter saudades de algumas coisas mas vivo muito o presente com memórias e recordações que alimentam o presente. Estou também a escrever crónicas da minha vida que foi foi muito rica, vivi em vários países, vivi coisas importantes. Escrever para mim é um vício quotidiano, há quem esteja metido em drogas duras, eu estou metido nesta droga que é a escrita e o prazer da escrita e não é dura.

Como vês esta nova geração de músicos ? Achas que tudo mudou?

Inevitavelmente. Mas o que eu realmente acho interessante em toda a nova geração é a diversidade de estilos que existe dentro do género, que pode surgir desde o fado até ao pop-rock, mas há uma pessoa que eu gostaria de destacar… que é a Márcia. A Márcia é inspirada e é a pessoa que melhor compõe, que melhor escreve, é de facto um fenómeno. No próximo disco, e isto em primeira mão posso dizer que vou cantar uma canção da Márcia que é uma coisa rara para mim cantar material alheio, mas apetece-me…

 


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