Hiromi – um piano maior do que a vida

O Jazz não morreu. Ele apenas ficou com um cheiro estranho.” A frase é de Frank Zappa mas poderia bem ser o lema de vida de Hiromi Uehara, virtuosa pianista japonesa que, dotada de uma técnica impressionante, chega esta quinta, dia 13 ao Theatro Circo para apresentar Spark, o seu último trabalho.

hiromi-_A relação de Hiromi com o piano começou cedo, quase por acidente. O seu irmão mais velho frequentava aulas de piano em grupo e Hiromi, sem ninguém que tomasse conta dela, acabou por ser levada pelo irmão para não ficar sozinha. Numa dessas aulas foi pedido aos alunos que cantassem uma canção e Hiromi, sentada no fundo da sala não se conteve cantando tão alto que acabou por ser convidada a sair. Depois deste episódio a mãe, resignada, optou por inscrevê-la na escola e foi nesse momento, aos seis anos de idade, que nasceu um amor eterno pelo instrumento que acabaria por mudar a sua vida. Depois dos ensinamentos clássicos de iniciação Hiromi tem um primeiro contacto com o jazz. Nesse momento, com oito anos de idade, começa a improvisar sobre os temas clássicos, aprendendo a comunicar através do piano a linguagem do jazz. Nascia uma estrela.

Tal como Jeff Beck e Frank Zappa, conhecidos pela capacidade invulgar de fundirem géneros, também a música de Hiromi desafia fronteiras e estilos. A pianista encontra inspiração na simplicidade da vida mundana, na beleza das pequenas trivialidades do quotidiano. Se estivermos atentos e a quisermos procurar, acabamos por encontrá-la.

20321722_1428650078_jac6787-hiromi-ueharaSpark, o seu último álbum, fala precisamente desta procura de inspiração. Dividido em oito temas, cada um deles é como um capítulo dum livro, terminando com “All’s Well”, tema que começa com aplausos, como se tratasse do final dum filme imaginário.

Oscar Peterson, a lenda eterna do piano costumava dizer que “muitos pianistas limitam-se a um único estilo, como se fosse uma marca pessoal.  Eu acredito no piano como instrumento capaz de expressar toda e qualquer ideia musical. Por isso não tenho estilo. Toco apenas o que sinto.”

Hiromi está a viver e tocar segundo as sábias palavras do mestre e Spark é a prova viva disso mesmo. Venham ouvi-lo.

 


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