“Hamlet Talvez”: Génio de Shakespeare renasce no Theatro Circo

O génio de Shakespeare continua vivo.  400 anos depois da criação de Hamlet, a peça mais longa e árdua do dramaturgo inglês volta a ganhar vida, desta vez pela Companhia João Garcia Miguel. A obra prima de Shakespeare ocupa desde 1879 o primeiro lugar entre as peças mais requisitadas da Royal Shakespeare Company, sendo a mais interpretada da história do teatro. Este clássico da dramaturgia continua a ser objecto de estudo, tendo inspirado autores como Machado de Assis, Goethe, Freud, Charles Dickens e James Joyce a dissertarem sobre a mesma. No palco, as re-interpretações da obra tem confirmado Hamlet como um filão inesgotável de criação artística na hora de abordar temas como a traição, a vingança, a loucura, a morte e a moral. Mais do que uma obra acabada, Hamlet será sempre um ponto de partida para a discussão filosófica, uma mesa redonda de valores e ideias que se cruzam na voz dos seus personagens.

Cinco atores trazem a cena o príncipe da Dinamarca, as suas sombras, os seus fantasmas, transportando a incerteza sobre a vida humana e a nossa desumanidade. Hamlet é mais um obcecado que dá cabo desta coisa toda.

“Hamlet Talvez”, com encenação de João Garcia Miguel, marca o regresso dos textos de Shakespeare ao palco principal do Theatro Circo (28 de maio, 21h30).
Nesta versão que explora uma interpretação alternativa do carácter e dos impulsos que motivam o infeliz príncipe da Dinamarca, cinco atores levam a cena as sombras e fantasmas de Hamlet, transportando a incerteza sobre a vida humana e a desumanidade.
«Abordámos Hamlet como um texto religioso testemunho de lugares estrangeiros. Ali procurámos ajuda para os enigmas do viver e auxílio para modificar o que vemos acontecer em nós. Dentro e fora de cada um. Ser atingido por estes testemunhos é possuir uma máquina de espreitar para o nosso interior. É essa talvez a razão por que escolhemos fazer Hamlet, porque acreditamos nas artes como um sistema de resistência contra a destruição da alma que é o que nos preserva enquanto natureza, animal e humano», explica o encenador.
João Garcia MiguelDepois do internacionalmente premiado “Burgher King Lear” (2006), de “Romeu & Julieta” (2011) que apresentou em vários países e de “Open Hamlet” (2013), João Garcia Miguel continua o seu diálogo e entrega a William Shakespeare. Nesta adaptação do clássico «busca-se simultaneamente um entendimento e ajuda para os enigmas do viver, e auxílio para modificar e explicar o que vemos acontecer em cada um de nós. Parte-se da subjetividade filosófica dos atores em cena, e através da personagem de Hamlet e da sua intemporalidade, exploram-se as sombras, os fantasmas, as incertezas existenciais e a nossa própria desumanidade».

João Garcia Miguel iniciou a sua carreira profissional na década de 1980 e foi um dos fundadores dos coletivos Canibalismo Cósmico, Galeria Zé dos Bois e OLHO- Associação Teatral. Em 2003 fundou a Companhia João Garcia Miguel e, em 2008, tornou-se diretor artístico do Teatro-Cine de Torres Vedras. Em 2014 foi distinguido com o prémio SPA para Melhor Espetáculo de Teatro, com “Yerma”.


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