Fado Violado esbate fronteiras no Theatro Circo

O ditado popular diz que “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento” mas o projecto Fado Violado vai estar no Theatro Circo na próxima sexta, dia 17, pelas 21.30 para provar exactamente o contrário. A dupla portuense formada por Ana Pinhal na voz, e Francisco Almeida na guitarra traz ao palco principal da sala bracarense uma receita deliciosa onde fado e flamenco se entrelaçam como as mãos de dois namorados.

fado violado - ana pinhalEsta história de amor começa a escrever-se em Sevilha, eterno reduto da arte flamenca. Foi aqui que Ana Pinhal, quiçá embuída desse sentimento tão português que é a saudade, se apaixonada pelo fado. A artista tinha anteriormente integrado os coros da banda pop  BoiteZuleika e conhecido Francisco, também ele com uma ligação umbilical às artes e à música. Na adolescência, o guitarrista deambulou por bandas de garagem e chegou a cantar, mas o amor à guitarra e o encanto pelo flamenco,  em 2003, traçaram uma nova rota com destino à cidade andaluz. Foi aí, que na prestigiada Fundación Cristina Heeren aprimorou durante 3 anos o seu  talento e técnica, numa devoção e entrega que viria a dar frutos mais tarde.

fado violado - franciscoA génese do projecto Fado Violado nasce de um convide  de bailarinos de tango argentino feito à dupla portuense. O desafio seria criar um espectáculo que integrasse a melancolia do fado com a energia e cor do tango. Ana e Francisco aceitam o repto e arriscam o alargamento do parco reportório na altura, passando a reinterpretar alguns dos fados mais conhecidos ao som da virtuosa guitarra de Francisco.

A simbiose destas duas artes ibéricas resulta numa experiência refrescante e energética que foge a rótulos e categorias. Ana e Francisco fundiram o melhor de dois mundos numa incursão aventureira, nascida de cumplicidades e talentos mútuos. É uma espécie de inversão do Tratado de Tordesilhas, a provar que a música continua a ser a melhor forma de derrubar fronteiras e unir o que temos de melhor.

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