Desenhar, uma maneira de ver a vida.

Desenhar o que lhe diz tanto, ou apenas deixar nas gavetas da sua grande memória, as imagens que a perseguem. Deixá-las por ali, entre os nervos e a rotina que teimam em  persegui-la diariamente. Guardá-las egoisticamente e esconder o seu rasto, ou simplesmente partilhar com o mundo o que é tanto da sua vida.

Para Maria Tavares, os seus ventrículos, artérias e válvulas são muito mais que um músculo. Formam o coração em toda a sua essência. Transporta arte. Vontade. Felicidade. Carrega um corpo com talento. Dia após dia, e, durante bastante tempo, Maria fez registo de todas as viagens do seu corpo e alma. E agora, ao olhar para trás, para esses dias que hoje todos podem contemplar numa folha de papel, Maria sabe que tinha que ser assim. As coisas tem que ser registadas. Desenhos bonitos, de alguém que vê o bonito das coisas.

Rodeada de amigos, esta arquitecta lisboeta que foi adoptada por Braga, inaugurou esta noite, na Junta de Freguesia de S. Vitor a exposição “Diários Gráficos de Maria Tavares”, que mostram tanto de si. Pelas mãos de Ricardo Silva, presidente da junta de freguesia, Maria foi agraciada com uma lembrança, mas especialmente com um obrigado sincero por escolher a sua freguesia para estas pequenas grandes obras de arte.

É das mãos dela. Com ou sem cicatrizes da vida que surgem verdades em rabiscos que nos contam mais que livros. Guardar tudo. Desenhar tudo. Sem esperar que alguém entenda ou aceite. Ficam aqui alguns. Assim. Páginas de cadernos soltos. Assim mesmo. Sem legendas.

 

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