Cavalo Dinheiro: fantasmas de Abril de 1974

Decorria a revolução. Era 25 de Abril de 1974. Enquanto os capitães lutavam, o povo procurava por Ventura, o cabo-verdiano perdido no bairro das Fontaínhas em Lisboa. Cavalo Dinheiro é um filme nascido de histórias e conversas tendo como ponto de partida o hospital psiquiátrico onde Ventura foi deixado pela filha. É aqui que, entre memórias do passado, o emigrante revive a guerra, a vinda para Portugal, o desenraizamento e a exploração laboral a que foi sujeito.
Desde a Juventude em Marcha (2006), quando Ventura protagonizou pela primeira vez um filme de Pedro Costa, o cabo-verdiano e as suas histórias em Portugal, têm sido o foco e a inspiração do realizador português. Mas este é o primeiro filme em que é realmente necessário criar algo além do improviso, a planear melhor cada imagem que grava, uma vez que a história é baseada na vida de Ventura.
Como já é habitual nos filmes de Pedro Costa, Cavalo Dinheiro retrata a vida das comunidades cabo-verdianas em Lisboa, a pobreza, a exploração e as saudades das suas terras.
Neste filme vamos ao encontro das memórias e dos fantasmas que acompanham o cabo-verdiano pobre e com distúrbios psíquicos desde 74.
Estreado no Festival de cinema de Locarno na Suíça, Cavalo Dinheiro chega esta noite ao Theatro Circo às 21h30 com vários prémios. Entre eles, o Leopardo de Melhor Realizador e o prémio da Federação Internacional de Cineclubes.
Ao longo dos 104 minutos de filme viajamos pelos ambientes que melhor caracterizam as emoções daqueles que são retratados. Primeiro o hospital psiquiátrico e depois as ruínas que servem para retratar os traumas do trabalho e a injustiça.


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