Cati Freitas: ”Todas as manhãs parto de caravela com os nossos descobridores. Vou pesquisar outros mundos e outras sonoridades”

A vida muitas vezes nos arrasta para escolher o que queremos fazer dela. Somos obrigados a dar a mão, a agarrar com força o sonho que em tempo algum pensamos largar. A Cati Freitas tem um sorriso único. Genuíno. Desarmante. Uma força da natureza que nos rapta para o mundo das sonoridades que só ela nos consegue dar. Aprendeu com os melhores. Foi abrindo devagar as janelas e portas da sua vida para a música. Todos os dias agradece o sonho que devagar se vai tornando numa grande realidade. Olha o céu  e abre um sorriso em forma de agradecimento por tudo o que de mágico que lhe vai acontecendo…Obriga-se e permite-se apenas pedir que o seu sonho continue assim.Vivo !

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Como nasceu a paixão pela música?
Desde que a sinto no meu  interior, a verdade é que já nasceu comigo!

Dentro” é o teu primeiro álbum. É algo que vem dentro de ti?

Sempre. Este “Dentro” quis dizer precisamente isso mas não só. Refiro-me principalmente a uma procura interior,  como artista. Eu acho que o “Dentro” reflete muito o meu pontapé de saída para o meu crescimento enquanto cantora-interprete, autora e ser humano.É um disco feito sobretudo para me apresentar às pessoas.

cati freitas 04Este álbum é o ponto de partida para mais uma digressão?

Já foi. Este álbum faz agora 3 anos que saiu e eu já fiz essa digressão durante 2 anos. Agora já estou a pensar num próximo disco para lançar em 2017. Estou mais tranquila, estou sem tournée propriamente dita. Estou recetiva ainda a receber convites mais pontuais para fazer alguns concertos. E a preparar-me para compor o segundo disco.

O que te trouxeram as experiências com artistas como Expensive Soul, Sara Tavares e Rui Veloso?cati freitas 03

Os artistas com quem eu realmente trabalhei mais vincadamente foram os Expensive soul. Trabalhei com eles durante 9 anos. A Sara Tavares e Rui Veloso foram coisas mais pontuais. Foram concertos em que os conheci, onde por exemplo a Sara me chamou para fazer umas vozes com ela, o Rui gostou da minha voz e chamou-me para fazer umas coisas num disco dele. Com os Expensive Soul eu aprendi  principalmente a exigência no trabalho, a persistência, apesar de ter influências da sonoridade de todos eles, fui mais influenciada pela capacidade de trabalho que todos eles apresentam.
Em 2003 participaste na Operação Triunfo. Foi uma mais valia essa experiência?

2003! É verdade já nem me lembro! (risos). É sempre, todas as experiências que temos são sempre uma mais valia porque acabamos por aprender coisas que não sabíamos e no caso a operação triunfo foi onde experimentei pela primeira vez pisar um palco a sério. Foi uma experiência bonita.

As raízes bracarenses são de alguma forma uma influência na tua própria música?

Não. As raízes bracarenses propriamente ditas não! Talvez a serenidade que a minha cidade me dá, a qualidade de vida, a serenidade de viver aqui. Em Braga perdemo-nos com muita coisa… apesar de ser uma cidade grande sinto que ela me oferece o meu porto de abrigo onde eu preciso de regressar para me recolher e não a troco por nada. Embora eu viva muito entre Lisboa e Braga, Braga é a minha casa.

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Quais são as expetativas para o futuro?

Escrever livros e discos,  continuar o meu percurso que sinto cada vez mais é intenso. Tenho tanta necessidade de passar para fora o meu ponto de vista, os meus sentimentos, as minhas emoções, fazer com que este caminho seja o mais verdadeiro possível, isso ajuda-me a crescer como ser humano. Estou a pensar em gravar o próximo disco no ano que vem, estou já em processo de composição e acho que vem aí mais coisas bonitas.

Até aqui como tem sido o feedback do público?
Tem sido maravilhoso embora ainda numa proporção pequena. É o meu primeiro disco e eu não fui muito atrás propriamente de um estilo musical que seja à partida logo facilmente recetivo. Eu sinto que ainda tenho de bater o pé ao que algumas pessoas dizem sobre a minha musica ser para um público mais elitista e que só uma determinada faixa etária é que ia perceber. Estou a refutar isso porque sinto que não é assim, que o meu povo me vai entender porque apesar de eu ter encanto, posso ser do povo.

Que ligação há entre o fado e as tuas canções?cati freitas 14
Não tem nada de fado nas minhas canções. Aliás eu estou a escrever um tema que diz mesmo isso “Então o que é que eu serei se o fado triste não me encontrou? Serei eu uma estrangeira ou simplesmente quem eu sou?” Eu não sou cantora de fado, não vou ser (risos), não tenho propriamente a guitarra portuguesa na minha música, mas eu tenho a minha essência que é portuguesa, que é bracarense que é de onde me quiserem e isso não faz de mim uma estrangeira por eu não ser do fado. Embora eu traga uma música que se calhar sonoramente ainda não é muito o que os portugueses estejam acostumados a ouvir eu não deixo de amar a minha pátria de ser lusitana. Eu todas as manhãs parto de caravela com os nossos descobridores, vou pesquisar outros mundos e outras sonoridades.


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