Carminho: “Cada pessoa de Braga dá um bocadinho de si à Noite Branca”

Há coisas que tem o seu tempo para acontecerem. No caso da Carminho, é hoje. Não é preciso explicar o que Maria do Carmo de Carvalho Rebelo de Andrade traz aos palcos do mundo. Carrega na sua voz o orgulho do nosso fado. Do país e da sua eterna história. Vai buscar tudo ao fundo do peito e invade-nos com a força de uma verdadeira mulher lusitana.

Carminho tem o ritmo e o calor que Braga precisa. Depois do jantar, nesta noite quente de Setembro, a beleza e a graça desta Lisboeta que tem nas veias o fado vai abrir com chave de ouro a Noite Branca 20016.

Silêncio que se vai cantar o fado…

Há uma maturidade crescente e notável em tudo o que envolve a Carminho e o seu trabalho. Como tem o público reagido a toda a esta mudança?

Por vezes é difícil perceber o nosso próprio crescimento, olhamos de fora para dentro, mas todas as pessoas crescem. Não só eu evoluo como artista e como pessoa, como o meu próprio público evolui também. Tenho um público que me é fiel naquilo que eu sou e das escolhas que tenho feito. Existe também outro público que tem outra maturidade e que me descobrem agora, outros que se desinteressam, as coisas são mesmo assim…

Há uma grande dedicação, não só da minha parte mas também desse mesmo público e dessas pessoas que me ouvem com calma, tomam uma posição, questionam-se e procuram saber como foi feito determinado tema. É um trabalho profundo, menos imediato que pode levar meses e anos.

Como surge todo o  processo criativo ? carminho 1

Por vezes leva anos. É uma procura constante, a tal maturidade que falávamos. Há coisas que eu gosto hoje que mais tarde poderei não gostar. Hoje prefiro algo que no passado não me identificava. Existem algumas coisas que hoje não compreendo e que, poderei compreender mais tarde ou até nunca.

As coisas vão chegando a nós. Não sou eu que encontro nada, são os poemas e as pessoas que vão acabando por me encontrar numa espécie de magia energética que tem a ver com a música e com a verdade. Basta estarmos de braços abertos a receber e a perceber esses sinais.

É do conhecimento geral que preferes trabalhar com homens. Há alguma razão especial para isso acontecer?

(risos) Não é uma questão de género. Cada um é específico e especial e eu adora trabalhar com cada um deles…

O que esperas desta Noite Branca que recebe pela primeira vez a Carminho em Braga?

Sei que a Noite Branca é um evento muito querido para a cidade e as pessoas se esmeram, não só na produção como as pessoas individualmente se preocupam em decorar as ruas e as suas casas, trazendo um bocadinho de si a esta noite. Quando os artistas chegam a Braga sentem isso e isso só nos pode inspirar para uma atuação ainda de mais entrega e mais personalizada ao lugar. É uma noite de grande sucesso sem dúvida…

 

 

 


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