“As Convertidas”: Recuperar uma memória que estava perdida

Relembrar é viver, e certamente a história traz com ela infinitas coisas para contar. Desta vez é a junta de Freguesia de São Vítor que reaviva memórias e atrai olhares à segunda exposição fotográfica “As Convertidas”. Uma história esquecida no tempo. Parte do mérito de três voluntários, apaixonados. Fernando Mendes, Leonardo Rodrigues e D. Júlia insistem na preservação  dessas memórias. 

As Convertidas, mais do que duas palavras, são uma longa história. É no Edifício do Recolhimento de Santa Maria s vitorou das Convertidas que tudo nasce, no dia 25 de Abril de 1722. Um edificado que albergava mulheres com morais duvidosas ou até rebeldes. “Foi inicialmente concebida para acolher 12 mulheres que se quiseram converter para uma nova vida, ou seja a ideia era que elas se purificassem e voltassem a renascer. Claro que também acabou por funcionar como uma casa de castigo, pois há cartas que dizem que os pais levavam as filhas que eram mais rebeldes e mais malandras e que precisavam de ter um certo tipo de comportamento”, salientou o Presidente da Junta de São Vitor Ricardo Pereira da Silva.

“D. Rodrigo de Moura Teles nasceu a 26 de Janeiro de 1644, em Vale de Reis-Alcácer do Sal. Era filho do Nuno de Mendonça e D. Luísa de Castro. Faleceu em 1728, com a avançada idade de 84 anos e encontra-se sepultado na capela de S. Geraldo, Braga.

Foi nomeado Arcebispo de Braga a 5 de Junho de 1704, tendo ocorrido a sua entrada triunfal na cidade a 10 de Dezembro. Durante o seu mandato, até 1728, tornou-se uma das maiores figuras da História Bracarense, no que respeita ao seu desenvolvimento, com muitas obras realizadas, e no campo social.

expo convertidasPara a construção de este Recolhimento ordenou a demolição da Capela de São Bartolomeu, 1720, tendo ainda para o efeito comprado umas casas contíguas. Esta obra decorreu por sua conta durante dois anos. Para aumentar o espaço de construção, D. Rodrigo expediu, a 8 de Julho de 1720 um decreto a Câmara a conceder licença para tomar terreno público necessário ao alinhamento da planta. Acordou, com o Conde de Carcavelos, nessa perspectiva em ceder-lhe três penas de agua para compensação do alargamento da rua que vinha do Campo Novo, uma faixa de terreno junto a casa do gaveto da Rua de São Gonçalo e a alameda da Santa Ana, que, na altura, era um caminho rural conhecido por Corredoura.

Esteve sob a jurisdição da paróquia de São Vítor, por se encontrar dentro do espaço que é assinalado por linha reta do gaveto da Rua do Sardoal com a Rua de Guadalupe, onde vai encontrar o cunhal do Recolhimento e sai em direcção a igreja de São Vítor, passando pela da Senhora-A-Branca.

Em Abril de 1911 as Convertidas e outros bens da igreja passam para a posse do estado, permanecendo então sob a direcção dos Governos Civis, até o seu encerramento (1998) por falta de condições de habitabilidade, ficou então ao abandono. Até que um pequeno grupo de voluntários (três) conseguiu do poder central autorização para uma limpeza de conservação e inventariação dos acervos da instituição. Salientar que foi com o grande empenho e cumplicidade da Dra. Angélica Jorge, do MAI, a quem se agradece pelo muito que se avançou ao longo deste período.

Presentemente, aguarda-se, numa conjugação de esforços das autoridades locais e do MAI, um conjunto de obras consideradas muito urgentes para a salvaguarda de este património que herdamos e que é de todos nós.”  – Fernando Mendes

As imagens valem mais que mil palavras e são muitas as que relembram aos bracarenses um fragmento da história, que sem dúvida vai impressionar o olhar de muitos minhotos.

 


Be first to comment

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.