A aceitação institucional não interessa a Tim Hecker

As portas da sala mais escura de Braga vão abrir-se esta noite para Tim Hecker. É pelas 22 horas que o canadiano apresenta o seu novo trabalho. Escuro. Questionável. Enigmático. São poucos os adjectivos para apresentar, este que é um artista com mais de oito discos editados em vários ambientes de música electrónica.

O homem que já foi analista político nunca escondeu a sua paixão pelas artes visuais e Stan Douglas é um dos nomes com quem Tim já trabalhou. É um camaleão. Amado e odiado. Daqueles artistas que a nossa consciência nos diz que não podemos deixar de conhecer. Sempre tão certeira e perspicaz.tim hecker

Três anos depois de Virgins, este nome obrigatório da música electrónica oferece-nos  Love Streams. Lançado há 1 mês, 8 de Abril, o músico escolheu Braga e o palco do GNRation para se mostrar ao mundo.

Dizem os que o analisam ao milímetro  que a sua música é incomparável, imparável e memorável. Este artista já tem no corpo os materiais necessários para voar. Para ampliar dia após dia o seu território cada vez mais vasto. Neste álbum, Love Streams , Tim Hecker deixou-se inspirar pela música coral do século XV, sobretudo pelas partituras de Josquin des Prez. Este enlace improvável, este apertar de mãos entre Hecker e composições para coro com 500 anos é algo único que nos consegue prender do inicio ao fim . É um senhor. Um artista. Capaz de moldar anos e anos de história e tradição em algo que até hoje não conseguimos qualificar. É bom. Grandioso. Imperdoável se não te deixares perder.

 

 


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